Caixa Cultural exibe mostra do artista plástico Jorge Fonseca

Caixa Cultural exibe mostra do artista plástico Jorge Fonseca

Costurar, pintar e bordar o amor. Enfeitar e dar graça a desilusões, tropeços, desavenças. É assim que o artista plástico mineiro Jorge Fonseca concebe sua obra, criações que dão um novo significado a objetos do imaginário coletivo e apontam brechas de afeto em coisas simples do cotidiano. Entre os dias 27 de maio 05 de junho* e 29 de julho, boa parte de seu trabalho poderá ser conhecido na CAIXA Cultural São Paulo, na exposição inédita e gratuita Labirinto de Amor.  A visitação pode ser feita das 9h às 19h, de terça a domingo.

As mais de 30 obras da mostra (que pertencem a acervos de grandes instituições e colecionadores) foram produzidas entre 1998 e 2015 e contam um pouco da trajetória deste artista autodidata, que por mais de 15 anos foi maquinista de trem e marceneiro. Segundo a curadora da exposição, a crítica de arte Fernanda Terra, Jorge Fonseca é um grande observador do cotidiano, das relações, dos sentimentos. “Por mais que sua obra aborde questões da cultura popular novelística, folclore e religiosidade, o amor se destaca”, afirma. “É um reflexo de como ele enxerga o outro, sempre de um jeito carinhoso”, completa.

Em criações singulares, há uma forte atitude contemporânea, uma crítica contundente às relações humanas. Ele dá outra leitura a materiais comuns, tecidos, miudezas de armarinho ou objetos simples que habitam o imaginário de muita gente. “As pessoas se envolvem emocionalmente com as histórias contadas por cada peça. Se reconhecem, recordam vivências ou lembram de alguém que viveu aquilo. (…) É difícil observar uma das obras e não abrir um sorriso. E ao mesmo tempo é ácida, irônica, remete aos sentimentos mais íntimos”, sublinha a curadora.

De acordo com Fernanda, a exposição “Labirinto do Amor” é também um convite a interagir, na prática, com o universo lúdico de Jorge Fonseca. Os visitantes poderão tocar e participar de três obras que provocam os desejos, medos e emoções.

O cotidiano sob uma ótica afetuosa

Jorge Fonseca nasceu em Conselheiro Lafaiete-MG. Era nos intervalos da jornada de trabalho, como maquinista, que ele aproveitava para dar vida às suas criações, no início da década de 1990. “Isso ajuda a explicar a predominância do bordado na minha obra nessa fase. Eu passava longos períodos no trem, em demoradas viagens, quase não tinha tempo para exercer o ofício em casa. Levava para a cabine tecidos, linhas, agulhas, materiais de armarinho e bordava ali mesmo, durante as longas paradas do trem”, conta o artista.

Nessa época, em 1995, ele foi convidado a integrar o Salão de Arte Contemporânea de Campos (RJ) e no ano seguinte conquistou seu primeiro prêmio no mesmo salão e no 53º Salão Paranaense. Em 2009, foi contemplado com uma bolsa da Fundação Pollock-Krasner (Nova York), para estímulo à produção. Foi o vencedor do último Prêmio PIPA Online, em 2017. Sua obra integrou dezenas de exposições coletivas e individuais em respeitados espaços como a Pinacoteca de São Paulo, MAM Rio, Funarte do Rio de Janeiro e Brasília, Palácio das Artes, 6ª Bienal de Arte Contemporânea de Kaunas, na Lituânia, Feira Internacional de Arte de Buenos Aires, entre outras.

“O meu trabalho é uma espécie de baú de memórias. Conta muito da maneira que aprendi a enxergar o mundo, o jeito que tenho de contar histórias, de falar de pessoas comuns. Uso materiais simples, triviais, como tampinhas, linhas de costura, tecidos modestos. Tudo isso tem a ver com minha origem, como aprendi a enxergar o outro. Cresci ao pé da máquina de costura da minha tia, cuja principal clientela eram moças de um bordel próximo”.

Segundo o artista, uma das principais características do seu trabalho é o conceito novelístico de amor do ideário popular brasileiro, carregado de melodrama e poesia. “Me acostumei a esmiuçar o ambiente doméstico e os locais públicos em busca de situações cotidianas, banais e costumeiras, mas que revelam muito do que somos. A partir daí, crio simbologias e jogos interpretativos, trabalhos que evocam uma pequena história de vida: meio fato, meio fantasia”, ele explica.

Serviço

Quando?

05/06* a 29/07 (de terça a domingo), das 9h às 19h

Onde?

CAIXA Cultural São Paulo (Praça da Sé, 111 - Centro)

Quanto Custa?

Entrada franca.

Classificação:

Livre

Mais Informações:

A CAIXA Cultural possui acesso para pessoas com deficiência.

*A Caixa Cultural São Paulo informa que a abertura da exposição “Labirinto de Amor”, de Jorge Fonseca, que seria em 27/05, será adiada para 05/06, devido a problemas de logística em decorrência da greve dos caminhoneiros. - Release atualizado em 31/05.

Sobre o autor

Publicitário, especializado em Marketing e Comunicação Integrada. Amante da vida, encantado por pessoas e suas singularidades. Fã inveterado de filmes de terror, ouvinte assíduo de música jamaicana e rock pesado. Vive uma relação de amor e ódio com São Paulo. E, claro: Vai, Corinthians!

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