Satyros comemora 30 anos de sua fundação com novo espetáculo no Sesc Consolação

Satyros comemora 30 anos de sua fundação com novo espetáculo no Sesc Consolação

Neste ano, a Cia. de Teatro Os Satyros celebra seu 30º aniversário. Para abrir a comemoração da efeméride, a trupe estreia Mississipi, em 20 de abril, às 21h, no Teatro Anchieta do Sesc Consolação. A partir de pesquisas realizadas pelo grupo sobre o cotidiano das pessoas em situação de rua que vivem no entorno da Praça Roosevelt, a produção aborda a questão urbana nos últimos 20 anos.

A criação retrata três momentos históricos distintos da Praça (1999, 2009 e 2019). Tais períodos são mesclados, de forma que as situações dramáticas quebram a ordem cronológica e propõem uma sequência de imagens que constrói a narrativa da peça.

Além do festejo das três décadas, e do retorno aos palcos fora de seu próprio espaço após 10 anos, vale ressaltar que essa é primeira vez que Os Satyros realiza uma temporada no Teatro Anchieta, espaço teatral icônico da cidade de São Paulo.

Segundo Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, fundadores da companhia, a presença do Satyros no Anchieta está relacionada à região, à proximidade conceitual e geográfica e, principalmente, ao acolhimento cultural que os três espaços (Satyros, Praça Roosevelt e Sesc Consolação) oferecem à população da cidade, cada vez mais ávida por ambientes culturalmente propícios à pluralidade e à arte.

Em continuidade às comemorações, no dia 02 de maio, quinta-feira, às 20h, no Teatro Anchieta, a companhia lança o livro “Mississipi” pela editora Giostri, obra homônima ao espetáculo, também inspirada em situações observadas e vividas pelo grupo na Praça Roosevelt.

Mississipi

A peça, com a estética de teatro-karaokê, se passa em 3 momentos (1999, 2009 e 2019) e é inspirada por uma série de situações que foram observadas, presenciadas ou vividas pelos integrantes do grupo Satyros. As cenas são intercaladas e criam um emaranhado de situações que, de alguma forma, se relacionam. Mississipi, personagem que dá nome ao texto, é uma pessoa em situação de rua. Sua chegada na Praça Roosevelt aconteceu há 20 anos, em 1999. Seus amigos vivem todos na rua. É por meio dos olhos de Mississipi que podemos conhecer uma praça além do frenesi dos bares e do paredão de prédios.

Em 1999, Raul é um bem-sucedido profissional que se estabelece na Praça Roosevelt e passa a se envolver sexualmente com homens em situação de rua.

Em 2009, Princesa e Vangloria vivem na rua. Princesa trabalhou em uma famosa boate dos anos 1970, Le Masqué. Vanglória é sua melhor amiga e companheira, e está sempre atenta sobre as indicações de placas de rua. Elas são amigas de Maresias, uma famosa atriz de TV. Maresias é deprimida e solitária, e apesar do sucesso e da estabilidade financeira, vive sistematicamente com a hipótese do suicídio em mente.

Em 2019, os moradores dos apartamentos da praça mantêm relações paradoxais com as pessoas da rua. Mariana é uma mulher independente que admira a vida livre dessa população. Max é um jovem antissocial que despreza essas pessoas. Ele e seu amigo Thomas consideram-nos fracassados. Alone é recém-chegado à praça e deseja moralizar a região, eliminando as pessoas que vivem na rua.

O espetáculo tem elementos de romance policial, espetáculo de denúncia, teatro narrativo e teatro-karaokê. Os Satyros utiliza a Praça Roosevelt como alegoria dos acontecimentos políticos e sociais que vêm marcando os últimos anos do país.

Os temas musicais são resgatados do universo brega brasileiro dos anos 1970, a partir de canções de Odair José, Paulo Sérgio, entre outros.

Sinopse

Durante os últimos vinte anos, a Praça Roosevelt passou por um processo de profunda transformação, de local perigoso a um efervescente ponto cultural. A montagem faz dela uma alegoria do cenário político e social do Brasil das últimas décadas.

Mississipi, personagem-título, tinha um sonho de criança, conhecer o estado americano em que seu nome era inspirado. Infelizmente, só conseguiu chegar à Praça Roosevelt, outro nome americano. Trata-se de um painel de personagens com pessoas em situação de rua e moradores da praça. Entre os temas abordados estão os desafios de suas vivências no centro da metrópole, como a intolerância e a violência social, a dificuldade de sobrevivência, a solidão, o abuso policial e a pedofilia, entre outros. Um romance policial, espetáculo denúncia, teatro narrativo e teatro-karaokê.

Serviço

Quando?

20 de abril a 26 de maio

Onde?

Sesc Consolação
Rua Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque, São Paulo

Quanto Custa?

Ingresso: R$ 12,00 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculados no Sesc e dependentes/Credencial Plena) | R$ 20 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor de escola pública com comprovante) | R$ 40,00 (inteira).

Classificação:

16 anos

Sobre o autor

Paulista da gema, jornalista formado pela UMESP que atua como assessor de imprensa. Amo a vida na cidade grande, mas também gosta da tranquilidade do campo. Cinéfilo, geek, amante de livros e das coisas que a natureza dá.

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