O FUTURO NÃO É VEGANO

O FUTURO NÃO É VEGANO

Antes de mais nada, quero esclarecer que sou uma vegetariana a caminho do veganismo. Já deixei de me alimentar em detrimento de outras vidas há mais de seis anos, e não uso couro e produtos testados em animais. Minha luta está apenas começando e não pretendo parar. Entretanto, venhamos e convenhamos, tudo parece lindo para o futuro dos animais e do planeta, mas o que trouxemos até aqui, uma bagagem de destruição do planeta, deve nos tornar dependentes dos animais, mais precisamente dos peixes. Conheça o futuro da agricultura: a Aquaponia.

Empresa trabalha com aquaponia no interior do MS.

Vamos entender o que é o veganismo. De acordo com a organização, Sociedade Vegana: “Veganismo é o modo de vida que busca eliminar toda e qualquer forma de exploração animal, não apenas na alimentação, mas também no vestuário, em testes, na composição de produtos diversos, no trabalho, no entretenimento e no comércio. Veganos opõem-se, obviamente, à caça e à pesca, ao uso de animais em rituais religiosos, bem como a qualquer outro uso que se faça de animais.”

Sendo assim, compreende-se que qualquer produto ou atividade que tenha animais como provedores não é aceita dentro do estilo de vida vegano. Mas aí é onde entra o futuro da agricultura no Brasil. A aquaponia é a combinação da criação de peixes ao cultivo de hortaliças. É uma alternativa que economiza 90% de água em relação à agricultura convencional, sem contar que não libera efluentes no meio ambiente, pois é um sistema fechado que pode ser replicado no quintal da sua casa, ou em larga escala.

Vamos acompanhar uma explicação mais detalhada do site do Embrapa: “(…) a aquaponia se tornará popular no Brasil a exemplo do que já acontece há mais de dez anos em vários países, embora ela ainda seja pouco conhecida por aqui. Ele acrescenta ainda que caso haja resistência em abater os peixes, o produtor pode criar peixes ornamentais.”

Veja na figura abaixo como é o sistema de aquaponia. Os peixes podem ser ornamentais ou abatidos, conforme explica o trecho do Embrapa.

Tendo como base o texto acima, o abate humanitário é a solução para o “descarte” dos animais usados no sistema para a produção de hortaliças e, também, para a carne. Em entrevista feita ao engenheiro de Pesca e gerente de piscicultura em Aparecida do Taboado (MS), Raphael Barbosa, os peixes dependem de um trato cuidadoso para uma produção eficaz.

O engenheiro de Pesca, Raphael Barbosa é responsável pela produção no interior do MS.
“Todo ser vivo sofre, porém algumas espécies não têm terminações nervosas extremamente desenvolvidas, outras sim. Daí segue-se as normas de abate humanitário dotadas pelo conselho de ética e manuseio animal. Quanto mais sofre o peixe pior é o resultado da produção.”

O processo, segundo Raphael, acontece com o acondicionamento dos peixes em gaiolas flutuantes ancoradas a uma corda, o que garante a qualidade da água do cultivo e também a diluição e fusão das excretas dos animais. “Como as estruturas são flutuantes no leito do rio e considerando o grande volume de água corrente a resultante é uma diluição do impacto causado pelas excretas e input de ração no sistema”, explicou.

Eles recebem rações específicas. “Na manejo do qual lido, os peixes grandes são alimentados quatro vezes ao dia, os menores, oito, para engorda. Os peixes mortos são retirados e misturados ao pó de serra para adubação”, disse. Os peixes são tratados para não sofrerem, entretanto passam por estresse. “Eles são transferidos de tanque, recebem vacinas, são separados por padrão de tamanho, passam por jejum. A qualidade do meu trabalho é medida pela taxa de mortalidade com BPM (Boas Práticas de Manejo), que vai desde o trato à limpeza, desinfectação e conservação dos tanques e materiais usados no processo”, disse.

Seja para a produção de carne, ou para a produção de hortaliças, o futuro parece depender da vida animal literalmente. Mesmo que atualmente a humanidade passe por um momento de transição, principalmente no ocidente, a alta tecnologia e os estudos na produção de alimento retornam aos primórdios da sobrevivência humana. Dados coletados pelo IBOPE, em abril de 2018 apresentam um crescimento de de 75% de vegetarianos desde 2012. Leis que são alteradas em prol dos animais, abate humanitário, produtos voltados ao estilo de vida vegano são crescentes e a população busca cada vez mais por essa alternativa pela qualidade de vida e pelo bem animal, mas e aì? O que vai ser desta luta? Ainda estou dentro, e você?

Siga contas do Instagram com dicas sobre veganismo.

@veganoperiferico

@pensandoaocontrario

Sobre o autor

Apaixonada por semiótica, cultura pop e escrever e escrever. Jornalista, publicitária e artesã, amo ler e conhecer coisas novas.

Comentários