POESIA: Somos Corpos Adultos Cuidando de Almas Crianças

POESIA: Somos Corpos Adultos Cuidando de Almas Crianças

Sempre me perguntam como vejo o ato de escrever poesia, é simples: quando invade o corpo (a alma, que seja), ela sai de qualquer categoria literária. Não existe forma certa ou errada de soltar as palavras. Apenas sentimos, e se alegramos ao saber que outras pessoas se reconhecem nelas. Por isso, trago versinhos para acompanhar a semana de quem deixa as palavras viverem.

Às vezes eles aparecem sem pedir permissão. chegam de supetão. não batem a porta. aperta o coração. às vezes. só às vezes. a gente esquece que no fundo. bem lá no fundo. quem tá do lado sente. que nossos medos. esses mesmos que chegam sem avisar. eles chegam pros outros também. é hora de acalmar. no final somos só corpos adultos cuidando de almas crianças. que sofrem por medos que também sofremos.

deixe ir embora.
sinta.
@poetisa_no_ar

Hoje eu tenho um jardim florido. nele já tive pragas. já reguei. não tive água. a chuva veio algumas vezes. deixei que o tempo trouxesse. pouco a pouco. as frutas vieram. sentia o cheiro de longe. fui colhendo. entregando. colhendo. partindo. doando. o jardim foi florescendo. até que não nascia mais frutos. apenas flores. e eles gostavam de flores. continuei colhendo. partindo. doando. até chegar no alto da montanha. todos falavam do meu jardim. aí percebi que a mais bela flor. não era vista lá do alto. voltei pras flores do meu próprio plantar.
[ eu floresci ].
@poetisa_no_ar

quando alguém morre, deixa vivo marcas em quem tocou. e é só assim que sei. que mesmo você mantando minha presença. estarei viva. em você. em todos. em mim.

tirou das paredes. estantes. cabeceiras. tirou-me quadros. fotos. retratos. como queira chamar. tirou meu nome. minha identidade. meus rastros. e mesmo assim. só assim. pude ser viva. completa. cheia de escolhas. passos. compassos. e força. que às vezes custa aparecer, mas sempre vive.

minhas asas batem forte. às vezes com saudade. com dor. mas batem. remendadas em fitas do passado. se faz viva junto à lágrimas e sorrisos. junto a novos sonhos.

e só assim, espero um dia, poder dizer que valeu a pena morrer. para viver. de novo. um novo. mundo. meu. só meu. onde posso escolher. viver. pra sempre. sem dor. feliz. [viva].
em liberdade.
@poetisa_no_ar

Podem me tirar quase tudo, menos as palavras: voam em liberdade pelo meu corpo todo. Deixo aqui um pouco delas e de mim – pra você!

Kell. Targino.

Serviço

Sobre o autor

Nascida em João Pessoa-PB, mora em São Paulo desde pequena. Atriz, dubladora, poetisa e redatora, apaixonada por tudo que envolva arte: música, cinema, teatro, fotografia, pintura e escrita. "Meus versos são histórias de pessoas dessa cidade não tão cinza". (@poetisa_no_ar)

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