‘Barrela’ de Mário Bortolotto fica em cartaz até outubro

‘Barrela’ de Mário Bortolotto fica em cartaz até outubro

Espetáculo fica em cartaz até 27 de outubro no Cemitério de Automóveis em SP

“Sem qualidade e imprestável”, os dois principais significados da palavra ‘Barrela‘. Não por coincidência, o autor Plínio Marcos (1935-1999) escolheu ela para dar voz a sua obra que após 20 anos de sua morte, seria representada nos palcos pelo grande diretor Mário Bortolotto. O espetáculo fica em cartaz até dia 27 de outubro do Cemitério de Automóveis em São Paulo.

Escrita em 1958 na cidade de Santos a partir de uma notícia de jornal, a peça foi rapidamente censurada. Barrela conta a história de um garoto de classe média que é preso por conta de uma briga de bar e acaba sendo preso, na cadeia é estuprado pelos colegas de cela. Na notícia real, o garoto planejou a morte dos quatro detentos após suas saídas da prisão.

                                                                                                  (Foto: Cristina Jatoba)

Já no teatro,  o texto teve uma única apresentação em 1959 e só foi remontado em 1978, com a abertura política pós ditadura militar. A montagem conta a rotina de um grupo de homens confinados em uma prisão em Santos. A cela é uma espécie de barril de pólvora pronto para explodir. O personagem Bereco (interpretado pelo próprio Bortolotto), é o ‘xerife’ da cadeia e tenta manter um regime de austeridade, o que parece ser impossível dada as condições em que os presos estão. É quando começa uma disputa entre eles questionando-se principalmente a masculinidade. O elenco fica completo com Walter Figueiredo, Marcos Gomes, Nelson Peres, Paulo Jordão, Rodrigo Cordeiro, André Ceccato, Marcos Amaral, Daniel Sato e Alexandre Tigano.

 

Plínio foi um dos primeiros autores de teatro brasileiro que eu conheci, ainda garoto. Para mim sempre foi impactante o jeito cru que ele escrevia suas peças, sem firulas, indo direto ao ponto, pegando pesado, sem dar trégua ao espectador. Acho que tudo tem seu momento. É um teatro que depende muito do ator e de como o ator imprime sua verdade na interpretação. Não dá pra brincar de estar representando”, explica Bortolotto.

 

 

Com destaque para o personagem ‘Tirica’, interpretado por Marcos Gomes, o presidiário esconde um segredo entre os colegas de cela que é revelado, iniciando a trama. “Na peça do Plínio Marcos o ponto de vista é o do homem encarcerado. Não há depois, não há amanhã. Tirica é alguém que sempre viveu preso desde o reformatório. Não há futuro para o Tirica. Sua vida corre paralela, em um páreo abarrotado de jovens. Talvez seja por isso, pela falta de um depois, que ele tente reproduzir, sem sucesso, a mesma violência que sofreu. Uma forma de sobrevivência“, diz Gomes.

A trilha sonora busca ressaltar o clima de opressão, aflitiva na qual só pontua  o estado em que os personagens estão. O cenário, idealizado por André Kitagawa, é simples e objetivo. Os figurinos são de Nazareth Amaral e a iluminação de Caetano Vilela.

Serviço

Quando?

Até 27 de Outubro

Onde?

Cemitério dos Automóveis - Rua Frei Caneca 384 - Consolação

Quanto Custa?

R$ 20 a R$ 40

Classificação:

16 anos

Mais Informações:

(11) 2371-5743

Sobre o autor

Jornalista pela PUC-SP e autor do documentário "Pegadas da Lama", escreve sobre Cultura e Cidades. Apaixonado pelas lentes da fotografia e dos documentários, gosta de observar as pessoas, as relações, os prédios e as janelas. Sagitariano inquieto, está sempre indo e vindo por São Paulo em uma relação complexa para poucos caracteres.

Comentários