Que Tal: o espaço multicultural da Vila Mariana

Que Tal: o espaço multicultural da Vila Mariana

Conheça a casa que virou um hostel, um hostel com bar, um bar com hostel e hoje é um bar

Por Bruno Machado e

 Gabriela Santos

Quem passa pela Rua Vergueiro, ali no bairro da Vila Mariana, sentido metrô Chácara Klabin talvez já tenha notado uma casa de fachada simples, com um cavalete na calçada escrito “Que Tal” e mais alguns dizeres como horário de funcionamento, valor da entrada e algum drink em promoção. Contudo, quem nunca entrou no Que Tal, não faz ideia de que aquela fachada modesta esconde um casarão que já foi um hostel e hoje é um bar, mas considerado um espaço multicultural. 

Logo na entrada, nota-se uma decoração bastante intimista e acolhedora, como a bike pendurada na parede e um quadro bem grande que abre margem para várias interpretações e fica exibido na sala de shows. Sim, existe uma sala de estar onde as bandas se apresentam, o que reforça ainda mais a proposta intimista. 

Sala de estar onde ocorrem shows. Foto: Gabriela Santos

 

Quem vai para ver as apresentações, pode se aconchegar nos banquinhos em frente ao espaço do palco e curtir a música bem pertinho. Quem procura um clima de happy hour ou comemorações de aniversário, por exemplo, pode ocupar outros diversos espaços do quintal da casa, cobertos ou ao ar livre. Para os fumantes, existe um fumódromo (também ao livre, claro), para não incomodar aos que não são.

O Que Tal não espera a sexta feira. Lá, tem música ao vivo em todos os dias de funcionamento: de terça à sábado. É um espaço multicultural por reunir várias tribos: às terças o som é MPB e Latinidades, às quartas, samba e chorinho, quinta é o dia do Jazz e às sextas quem manda é o Groove. A quinta-feira é conhecida como Jazz Mariana, um movimento iniciado pelo dono do Que Tal, Carlos Murayama, para difundir este movimento musical no bairro.

Carlos nasceu no Rio de Janeiro, mas veio para a terra da garoa aos nove anos e desde então vive no bairro da Vila Mariana. Aos 27, beirando os 28 anos, cansou-se de trabalhar em grandes empresas e decidiu fazer algo que combinava mais com sua personalidade e com suas convicções: foi aí que nasceu o Que Tal Hostel. Depois de alguns anos, o espaço parou de oferecer o serviço de hospedagem para se tornar o bar multicultural que é hoje. 

“Morei durante um tempo na Espanha. Na língua espanhola, a expressão ‘que tal’ é bastante usada no dia a dia, é o que pra gente seria ‘e aí, beleza?’. Além disso, é uma expressão que cabe tanto no inglês quanto no espanhol”, diz Carlos.

Além do diferencial da música ao vivo todos os dias, o cardápio possui algumas particularidades, como no caso do drink ‘Dá aí o quiri’, releitura do clássico Daiquiri, um coquetel cubano feito com rum, suco de limão e xarope, enquanto o da Vila Mariana é feito com rum branco, suco de limão, xarope de açúcar e angostura. 

Drink Dá aí o quiri, exclusividade do Que Tal. Foto: Gabriela Santos

Outra bebida bastante aclamada no lugar, mas não exclusiva, é o Moscow Mule. O drink tem algumas receitas diferentes, o da casa é feito com vodka, limão,  xarope de gengibre uma espuminha bem densa (feita de clara de ovo em pó) e servido com um raminho de hortelã.

Moscow Mule, um dos destaques da casa. Foto: Gabriela Santos.

Alguns drinks da casa têm nomes inspirado na música popular brasileira como Sossego (maracujá, vodka Ketel One, licor de amêndoas, açúcar, essência de baunilha, hortelã e essência de anis), Morena Tropicana (suco de laranja bahia, rum prata, suco de limão, açúcar, pimenta rosa e folhas de pitanga), Telegrama (whisky Jameson, xarope de gengibre,suco de limão, água com gás, essência de cardamomo, albumina e angostura),  Aquarela (gin amázzoni, limão tahiti, siciliano, laranja bahia, tangerina e água tônica), Tropicália (tequila El Jimador ouro, tangerina, xarope de pimenta, manjericão e pimenta dedo de moça), Transa (gin Beefeater, flor comestível, água tônica, limão tahiti e essência de alfazema), Acabou Chorare (vodka smirnoff, xarope de gengibre, suco de limão, água com gás e lima e hortelã). 

Outra especialidade da casa são as porções de dadinhos de tapiocas, feitos com queijo coalho e servido com geleia de pimenta artesanal e de bolinhos de mandioca com carne seca, tudo feito de modo artesanal pelo próprio Que Tal.

O cardápio ainda tem drinks não alcoólicos, cervejas e chopps artesanais e hambúrgueres com nomes de regiões tradicionais de São Paulo ( Vila Mariana, Paulistinha, Augusta, Brás, Ipiranga, Klabin, Vergueiro, Mooca e Bixiga). 

“A ideia do Que Tal é ser um lugar aconchegante para todos, para quem busca ouvir uma boa música, experimentar diferentes drinks artesanais, confraternizar, tudo em um quintal acolhedor. Um espaço assim na Vila Mariana é fora da curva, as pessoas  podem desfrutar da experiência de aproveitar um espaço para descontração, quase no quintal de suas casas”, finaliza Carlos. 

 

St. Patrick´s Day

Na próxima terça-feira (17) é comemorado o dia de St. Patrick, santo tradicional irlandês e que tem seu dia cada vez mais comemorado em pubs e restaurantes de São Paulo. O Que Tal terá uma programação especial na data. A música ficará por conta da banda Contry Roads Duo, com repertório formado por canções típicas da Irlanda. Em parceria com a Cervejaria São Paulo, a casa oferecerá cerveja especial frutada com cardamomo por apenas R$9 a noite toda.

 

Aniversário de 7 anos

Foto: Reprodução/Facebook                                           Para celebrar o aniversário de sete anos, o Que Tal  fará um evento especial no dia 18 de abril. A casa, que passou por mudanças até se tornar o espaço multicultural que é hoje, inicia suas atividades ao meio dia com feijoada e roda de chorinho. A noite, a festa continua com Djs, música ao vivo e flash tatoo. 

 

 

 

 

 

 

 

Serviço

Onde?

Rua Vergueiro, n°3393- Vila Mariana.

Sobre o autor

Bruno Machado é jornalista e sobrevive em São Paulo desde quando nasceu. Sua relação com essa cidade é um clássico romance clichê: se odeiam pelas manhãs, se amam ao decorrer do dia e é apaixono por suas noites. Em meio a essa selva-jardim de concreto, descobre a cada dia, locais que todo morador, turista e demais sobreviventes dessa cidade merecem conhecer. No final das contas, Caetano tinha razão, "Alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruza a Ipiranga com Avenida São João".

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