O rock (não) morreu de covid-19:  com queda de público, Galeria do Rock tenta manter suas atividades em meio à pandemia

O rock (não) morreu de covid-19: com queda de público, Galeria do Rock tenta manter suas atividades em meio à pandemia

Lojistas apostam no e-commerce para continuarem com suas vendas

Com colaboração de Gabriela Santos.

Situada no coração do centro histórico de São Paulo, a Galeria do Rock, apesar do nome, é o ponto de encontro de diversas tribos paulistanas. O prédio com a arquitetura moderna de  Maria Bardelli reúne hoje desde lojas de discos, vestuário, estúdios de tatuagem, salões de beleza,  lojas de grafite e outros comércios diversos que marcam o estilo da Galeria.

Desde sua fundação nos anos 60, muita coisa mudou e há quem diga até que de lá para cá o rock morreu, o que para muitos, não é verdade. A chegada da internet, do CD, do mp3, do Spotify e até mesmo a crise econômica pode ter abalado o gênero e o movimento da Galeria do Rock, que recebia em média, quase meio milhão de pessoas todos os meses. Contudo, nada se compara ao impacto da  pandemia de covid-19, que obrigou o lugar a fechar as portas por um bom tempo.

Desde o dia 24 de março, quando foi decretada a quarentena em todo o estado de São Paulo, as 210 lojas da Galeria do Rock fecharam suas portas com a incerteza de quando a normalidade voltaria. Para tentar reduzir os impactos no faturamento, o e-commerce surgiu como única alternativa para continuação das atividades da maioria das lojas. Seja por sites próprios, redes sociais ou até por whatsapp, as vendas pela internet foram a solução para muitos lojistas. 

Reprodução: Wikipédia

 

Com a retomada gradual das atividades comerciais em São Paulo, a Galeria voltou a receber o público, com todos os cuidados e protocolos de segurança, entretanto, o movimento ainda é fraco. Uma matéria publicada no site da revista Exame apontou que só no mês de abril, 30 lojas da Galeria do Rock tiveram que encerrar suas atividades. Contudo, o vice-presidente do Instituto Cultural Galeria do Rock, que administra o espaço, Marcone Moraes, informou à nossa reportagem que apesar do movimento ser fraco, nenhuma loja precisou ser fechada.  “Hoje todas as lojas estão autorizadas a funcionar das 10h às 16h e todas continuam com as vendas online. Entretanto, o movimento é cerca de 20% menor do que no início da pandemia”, diz.  

Marcone também reforça que a Galeria do Rock segue, desde sua reabertura, todos os procedimentos para que os visitantes possam prestigiar o espaço e realizar suas comprar em segurança. “Queremos agradecer a todos que visitaram a Galeria do Rock desde a abertura. Então queremos relembrar: caso você não consiga vir até a Galeria, acesse o site, compre online, por telefone, ou whatsapp, a maioria dos negócios dentro da Galeria do Rock são micro ou pequenos e são o única fonte de renda de muitos lojistas e funcionários. Por isso, SE VOCÊ PUDER, prestigie as lojas da Galeria do Rock, isso nos ajuda muito”, diz. 

 

Tráfico de drogas musicais

Para muitos, a reabertura da Galeria do Rock representa quase um recomeço de 2020, um desejo em comum de recuperar as vendas perdidas durante o período de portas fechadas. Entretanto, para algumas lojas de determinados segmentos, a situação econômica do país e o avanço tecnológico já abalavam o movimento e a pandemia contribuiu para agravar a situação. É o caso da loja de discos Baratos Afins, situada no segundo andar da Galeria. Para  Luiz Calanca, de 67 anos, proprietário da loja, que é uma das mais antigas do lugar, o espaço já foi a boca do disco de São Paulo. “Eu tenho 43 anos de Galeria do Rock, cheguei aqui em 24 de março 1977, esse foi meu primeiro aniversário de Galeria que passei longe daqui”, afirma Sr. Luiz.

Apesar da redução do fluxo de clientes, Sr. Luiz é otimista em relação ao futuro da Baratos Afins. “Comparado com quando eu cheguei, que Casas Bahia, Mappin e outras lojas de departamento que também vendiam discos, minha loja era uma cabine telefônica. Nada é para sempre, mas sei que esse não é o momento de parar. O disco é uma droga e nós somos traficantes musicais e não acredito que a pandemia vá mudar isso”, diz Sr. Luiz.

Assim como as demais lojas da Galeria do Rock, a Baratos Afins pode funcionar das 10h às 16h, mas Sr. Luiz optou por abrir a loja uma hora mais tarde, para ajudar os funcionários a fugirem do horário de pico e não se arriscarem no transporte público lotado.  

Durante todo o período que passou fechada, a loja vendeu discos por encomenda pela internet, com envios pelo correio duas vezes na semana. Agora, as vendas no espaço digital continuam, mas a loja tem seguido todos as recomendações de segurança para que o público possa voltar a frequentá-la pessoalmente. “Limitamos a quantidade de clientes na loja, oferecemos álcool gel e tomamos muito cuidado. Muitos querem ver, tocar no disco, é normal isso, mas nesse momento isso é arriscado e ficar passando álcool no disco também não é legal, então estamos tomando todo o cuidado, higienizando as mãos dos clientes para que possam comprar em segurança”, finaliza Sr. Luiz. 

Sobre o autor

Olá, Eu sou Bruno Machado, sou estudante de jornalismo, tenho 21 anos e sobrevivo em São Paulo desde quando nasci. Minha relação com essa cidade é um clássico romance clichê, nos odiamos pelas manhãs, nos amamos ao decorrer do dia e me apaixono por suas noites. Em meio a essa selva-jardim de concreto, vou descobrindo cada dia locais que todo morador, turista e demais sobreviventes dessa cidade merecem visitar. No final das contas, Caetano tinha razão, "Alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruza a Ipiranga com Avenida São João".

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