Entrevista com Rodrigo, vocalista e compositor do Os Belos Cães Cantores

Entrevista com Rodrigo, vocalista e compositor do Os Belos Cães Cantores

Os Belos Cães Cantores é uma banda autoral de Rock de Garagem formada em São Paulo – SP (2018), que bebe das mais variadas fontes do Rock clássico e underground. Encontra-se no seu som tanto influências de Rolling Stones como de Os Cascavelletes em uma fusão bastante peculiar.

Os músicos Rodrigo Adriano Machado (Vocal/Guitarra), Daniel Dantas (Bateria) e Pedro Cruz (Backing vocals/Contrabaixo), eram frequentadores do cenário alternativo da grande São Paulo; tocando em alguns grupos e circulando pelas casas de shows. Deste modo a história da formação da banda ocorre devido a amizade e admiração recíproca entre músicos que já conheciam o trabalho artístico individual de cada um.

A sonoridade da banda é rapidamente assimilada nas timbragens analógicas típicas do Rock que não se rendeu inteiramente ao digital. Evita-se o excesso de recursos “corretores” apostando em uma sonoridade artesanal milimetricamente arquitetada e executada: vocais sem efeitos, poucos pedais fazendo ouvir os famosos timbres de válvula, linhas de contrabaixo densas, percussividade selvagem. Outro destaque da banda são as letras, pois o compositor (Rodrigo Adriano Machado) é escritor e pesquisador da literatura marginal do Realismo Suburbano e outros (Lima Barreto, João Antônio, Charles Bukowski, Arthur Rimbaud, Emil M. Cioran). Assim é comum encontrar nas letras temas de uma sensualidade bruta ou que discorrem sobre as violentas noites do cenário paulistano, desencontros amorosos de personagens noturnos e desconsolados, viscerais e fatalistas.

O primeiro trabalho captado, mixado e masterizado no Estúdio 2112, em parceria com os produtores Marco “Fallador” e Marcos Godói, se chama Pernas Fortes e abre caminho enquanto single para um EP – com outras quatro canções autorais – em vias de finalização. Pernas Fortes é uma composição que joga com uma multiperspectiva poética que contrasta a depressão parcialmente vencida pela sensualidade e já avisa a profundidade e complexidade dos temas das canções do EP.

 

Logo feito pelo do artista plástico Emerson Ferreira.

Essa entrevista feita por áudio com o Rodrigo Adriano, vocalista do Os Belos Cães Cantores, você lerá à partir das transcrições de sua fala, levemente adequadas para funcionarem melhor no formato escrito. Boa leitura.

T. Como vocês, como banda, se enxergam no atual contexto?

R.A. A salvação do rock nacional! (Risos). Melhor dito: uma das salvações entre tantos que fazem um bom trabalho, comprometido e estudado. Somos três caras que se admiram reciprocamente e este é o elemento chave para manter a unidade de um grupo formado por artistas de opiniões e formações diversas. Somos como as velhas bandas de rock que você encontra nas biografias: não temos alguém por trás para simular um “uniforme” e uma mensagem “bonitinha”. Por mais “clichê” que aparente minha resposta, ela tem um fundo de apresentação para dizer ao que viemos. É bem sabido que os últimos momentos em que o “rock” — ou alguma coisa que levemente lembrava o rock — respirou algum reconhecimento, isso se deu pelo ardil de alguns produtores que souberam botar a garotada no salão de beleza para tratar o cabelinho e as unhas. Foi difícil para nós, enquanto banda, resistir à tentação de fazer a inscrição em uma academia de ginástica. Mas é para isso que as bandas de rock existem, para não deixar os amigos ceder ao caminho mais fácil e preguiçoso. Estilo requer disciplina. 

Mas fora as brincadeiras, somos músicos com outras profissões e por isso no começo nos dedicamos mais em estar no palco do que estar no estúdio produzindo material. É assim como nos vemos no contexto atual, uma banda de rock orgânica — bem fracamente digital. Vou guardar um pouco de assunto para as outras questões. Como observamos o cenário dominado pelos materiais na internet, fizemos do ao vivo nosso diferencial. Rapidamente passamos de uma banda que toca para amigos para uma banda que é chamada para tocar em casas undergrounds por causa das performances cheias de energia. A banda que diz que se une sem grandes pretensões é no mínimo mentirosa. Pretensões sempre tivemos e bem pouco modestas. Ocorre que levamos tanto tempo para preparar nosso repertório que sentimos que valia muito a pena colher o resultado imediatamente: olho no olho com o público! E o mundo era um lugar suportável para se viver entre sexta-feira e domingo depois que escurecia. 

T. Quais as dificuldades que passaram para engrenar a banda?

R.A. Venho de uma pequena cidade ao Sul (de lugar nenhum), cidadezinha moralista, provinciana, retrógrada, confundem mente pequena com ordem e progresso. Não é um lugar muito hospitaleiro para negros e pobres, imagine ainda quando esse negro resolve plugar uma guitarra em um amplificador e mostrar que existe, que não vai se entregar sem lutar. Quem enfrenta uma cidade inteira e sobrevive, está preparado para tudo. Lá no Sul fiz um estágiozinho no inferno. Agora estou aqui sobrevivendo em São Paulo. 

Uma banda de rock é uma coisa cara. Aprender a tocar os instrumentos, aprender a escrever letras minimamente razoáveis, requer dedicação e tempo. É mais complicado que colocar uma batida chata de computador para os outros rebolarem e falar do sexo que não fazem. E tempo é dinheiro. São decisões difíceis. Como não dá pra estar lá fora trabalhando pra ganhar dinheiro e ao mesmo tempo fechado no quarto aprendendo os truques necessários, a primeira dificuldade para engrenar uma banda de rock passará por esse processo de se disciplinar. Feito o dever de casa é só ir pra rua fazer a pesquisa. 

T. Como vocês enxergam o atual mercado para artistas independentes?

R.A. Como não precisamos lançar grifes de roupa e nem nos mantermos em dia com o salão de beleza e cabendo dentro de uma calça jeans que aperta as bolas até assar o saco, até que nossa situação não é das piores (risos). O mercado independente para artistas de pequeno porte (como minha banda, por exemplo) se resume basicamente em produzir para o seu grupo: reconhecer o seu grupo! O rock tem uma tarefa um pouco mais árdua — nem por isso deixa de ser divertida — de formar o seu público. Formar não no sentido de apenas agrupar, mas oferecer conteúdo crítico. É uma relação mais próxima e que nunca aliena. Rock não adestra corno com um berrante e tampouco paga de empoderado com frases de capa de manuais de sociologia para fingir que o produto é politizado. Portanto observe o seguinte aspecto: graças dedicação em sermos simples que conseguimos viver com a consciência tranquila de não sermos ridículos. É isso, o público de rock independente pede Arte porque cansou de marketing para bovinos e equinos. Sacudimos as cabeças pois é o melhor que podemos ostentar. Sei que hodiernamente parece estranho, mas ainda tem gente que teima em usar o cérebro para formular pensamento invés das nádegas. Nada contra umas boas nádegas, que fique claro isso! 

T. A música que vocês fazem é pertinente nos diálogos atuais?

R.A. Bem, sou graduado e mestre em Filosofia. Em geral — piorou bastante com essa grande aventura da política brasileira atual — a Filosofia parece difícil de entrar no cardápio cotidiano do povo porque se acostumaram com abstrações e não com a materialidade do pensamento, a objetividade imediata, a imanência. A politicagem ou melhor dito: “o reino retórico das promessas”, deu as mãos com a publicidade bobinha; daí essa completa inversão dos termos para qualquer diálogo. Não citei a Filosofia apenas para dar ares de intelectual, antes fosse: dizer que se estuda Filosofia hoje em dia é até sinônimo de impertinência (risos). Ainda bem! E como sou o principal compositor do Os Belos Cães Cantores, cabe lembrar que não tenho um botão que desliga o filósofo para deixar o músico mais tranquilo. Desconfio que nossa música é tão pertinente aos diálogos atuais que é pura impertinência para com a situação do país. 

O país vinha trançando os pés, cambaleante, em relação ao tema das artes. Embriagado de ignorância. Nos últimos anos ele finalmente caiu na sarjeta! Problemas terríveis como o racismo, violência contra as mulheres e homossexuais, gritante desigualdade econômica, fanatismo religioso que se infiltrou em bancadas políticas, tudo isso agora é o sonho bêbado da ignorância. Uma embriaguez orgulhosa que estufa o peito e canta o hino todo desafinado e faz dancinha, certo? 

Sei que a música é uma das maneiras de trazer esses problemas para a ordem do dia e temos feito isso. Claro, tomando todas as precauções para não sermos confundidos com os tipos que fingem engajamento em causas, porém, não se privam de rebolar na caçamba de um caminhão de cerveja. Ainda na mesma direção, pessoalmente, como compositor, tenho tentado — com algum sucesso — retomar a sensualidade do rock que virou praticamente um filminho pornô de quinta categoria na boca de outros estilos musicais que prefiro nem citar.

Estamos com um single engatilhado para logo mais e que se chama Pernas Fortes. Contrasta três questões bastante atuais essa canção: a sensualidade da mulher invés da sexualização objetificante fingindo empoderamento, o tesão que nos arranca da depressão — invés dos medíocres otimismos by autoajuda — e principalmente o fato de que já podemos voltar a falar publicamente que gostamos de fazer sexo oral nas mulheres. Parece engraçado esse último tópico, mas do jeito que um moralismo abobado tomou conta do discurso moral multiplicando tabus em relação à sexualidade/sensualidade, falar disso logo será um crime. E pode acreditar, dá para falar dessas coisas em uma canção de rock sem sugerir que a mulher é uma cachorra e depois se autoproclamar defensor do feminismo para desviar o foco mais óbvio (risos). 

T. Vocês tem uma lista em mente de músicas que os transformaram?

R.A. Sim. Boa parte delas estão ainda no nosso repertório de shows. São releituras, porque não tocamos nenhuma música de outro artista de maneira idêntica a composição original. Sempre acrescentamos ou podamos algo. Há uma história engraçada da relação dos Belos Cães Cantores com essas canções. Quando eu tocava com outras bandas no Sul, para não repetir o repertório das outras bandas do cenário, preferia tocar composições de músicos aqui de São Paulo. Quando cheguei em São Paulo e fundamos Os Belos Cães Cantores, acabei optando por tocar clássicos de rock do Sul pelo mesmo motivo.

Uma das primeiras canções que interpretamos no repertório da nossa banda foi Sob um céu de blues, da banda gaúcha Os Cascavelletes (que é a maior influência de rock nacional para mim). Além de ser um tipo de balada rock nada típico no seu estilo para as bandas de São Paulo, e portanto auxiliou no entendimento de como construir uma música diferente do que se faz em São Paulo costumeiramente, possui um clima tenso de abandono e desilusão no relacionamento amoroso. Climas tensos são meus favoritos na interpretação e na composição. 

Outra canção que muito influenciou Os Belos Cães Cantores foi Astronauta, da banda Os Replicantes. Consiste em uma desilusão amorosa (também!) em níveis de narrativa no estilo ficção científica. Uma baita de uma sacada! O narrador arranja uma mulher robô para ser sua esposa e tem medo que ao chorar ela enferruje (risos).    

Mais uma que permanece no repertório da banda desde o começo é a clássica Aluga-se, do maior roqueiro que esse país conheceu, o tal do Raul Seixas. Ali está uma debochada lição de economia que parece que o Brasil sempre foi bom em praticar, né? Nem preciso comentar que Raul Seixas é mais do que uma escola no rock, é um pós-doutorado. 

Outros estilos me influenciam e não gostaria de deixar passar. Cartola e seu samba melancólico é indispensável: Preciso me encontrar, Sim, O mundo é um moinho, Tive sim. O rapper Sabotage é outro indispensável: Um bom lugar, Respeito é pra quem tem

O Dan, batera, sempre salienta que três  músicas são fundamentais na formação de sua percussão: Underdog do Kassabian, pelas primeiras noções de contratempo; Shadow Moses do Bring Me The Horizon, pela agressividade e Pretty Visitors do Arctic Monkeys, pela “despirocada” agressiva com autocontrole. 

Pedro, contrabaixo, aprendeu muito com One way street do Aerosmith pela pegada blues; Babe I’m gonna leave you do Led Zeppelin (que seria um pecado não citar…) pelas ambiências e a condução até uma explosão sonora e She sells sanctuary do The Cult que segundo ele é a música mais rock n’ roll sem querer parecer ser rock n’ roll (risos).

T. Pensando nisso, qual foi o peso do punk na construção do seu pensamento crítico?

R.A. O punk foi a porta de entrada para pensamentos mais pesados! (risos). Como dizia em outro momento, cresci em uma cidade provinciana, profundamente racista. Para ter uma ideia a cidade é famosa por colonizar a região e reduzir os índios há um verdadeiro Estado de exceção perpétuo! Quem negociava um pedaço de terra com o Estado ficava incumbido de “limpar a terra”, ou seja, arrancar os índios que ali estivessem. É uma vergonha a céu aberto! E bem, cresci sem me dar conta dos motivos de sofrer uma série de preconceitos e humilhações, na rua, na escola, onde quer que estivesse. Aprendi o que era isso ouvindo discos de punk. Também aprendi essas duas coisas que são o verdadeiro sentido da minha vida:

1 – Faça você mesmo;

2 – Expresse o que sente em forma de arte.

Aprendi o verdadeiro significado do termo Atitude! O estilo musical com sua fúria e sua força de choque me educou para ir direto ao ponto sem rodeios. As letras me encheram de conteúdo questionador, contestador. Da passividade passei direto para o registro da ação. Aprendi a levantar a cabeça, olhar nos olhos de quem quer que fosse, não levar mais desaforo para casa, como se diz. E é claro que por tomar as rédeas da situação e não mais me limitar ao comportamento submisso, descobri rapidinho quem é que me preferia adestradinho. Quando me caiu na mão os discos dos Ramones, The Clash, Nirvana, Garotos Podres, Ratos de Porão, rapaz, aquilo não era só uma música, era uma ferramenta para me reconstruir depois de ter sido tão devastado por aquela montanha de lixo que se chama “a moral das pessoas de bem”. Foi incrível, foi como ligar uma lanterna em um quarto escuro. Percebi que uma sociedade injusta se apoia em um conjunto de discursos e gestos morais, performances morais, em uma maquiagem branca e pomposa. Toda aquela ordem fede!

Depois eu conheci o blues e consegui me expressar ainda melhor. Howlin’ Wolf foi o mais próximo que cheguei de ter uma religião. 

T. Aprendemos algo nessa pandemia?

R.A. Que desobedecer um presidente medíocre salva vidas! (risos). Bem, não vou me ater nisso. 

Os Belos Cães Cantores, que sempre adiaram ir para o estúdio gravar suas composições, dada as circunstâncias, foi obrigado a enfrentar o metrônomo. Nos revezamos para evitar aglomeração e finalmente começamos a registrar devidamente nossas composições no Estúdio 2112, com o Marco Fallador e Marcos Godói produzindo. Foi muito interessante, porque como músicos viemos de tradições diferentes. O Daniel Dantas, baterista, tem uma pegada mais hardcore/emocore (os emos do mal, não os bonzinhos). O Pedro Cruz, contrabaixo e backing vocal, é um grunge incorrigível e por vocação. E eu vim do punk, passei um tempão no blues e finalmente resolvi me escorar no rock clássico. Mantemos nossas maneiras de tocar, nossos principais estilos, isso até chegarmos ao modo Belos Cães de fazer música. Deu um trabalho, mas acertamos essa identidade. No estúdio que a coisa ganhou sua forma final. Foi isso que aprendemos na pandemia, nos organizarmos com o que temos e continuamos o baile. Penso que essa lição vale, com certeza, para a vida. Foi o que a maioria de nós fizemos. 

Outras informações adicionais que aprendemos com a pandemia foi o quanto as artes são determinantes para o equilíbrio emocional de uma sociedade que se queira minimamente civilizada. Literatura, cinema, música, teatro, dança, pintura, tudo isso salvou nossas vidas! Os professores nas escolas públicas seguraram uma barra terrível. Os mesmos “pais” que alguns anos atrás foram levados pela politicagem patética — ou já eram patéticos e a politicagem só fez encorajar — a considerar os professores os inimigos da pátria (risos), descobriram que não aguentam educar dois filhos, mas pisam no pescoço de professores que educam centenas por semana. Vi muita gente arrogante com o rabinho entre as pernas engolindo seco suas tolices em relação a isso. Os perseguidores dos intelectuais e cientistas, aqueles que alegaram que nas universidades só se faz balbúrdia, começaram essa pandemia abraçados ao negacionismo e foram desmascarados em praça pública! Bastou um pouco de choque de realidade para saltar aos olhos quem eram os verdadeiros ideólogos na nossa sociedade. Amém. 

Quem não aprendeu isso, não aprenderia absolutamente nada em qualquer situação trágica. 

T. E seu projeto solo em um estilo mais folk, como ficou afetado pelas questões da banda e pandemia?

R.A. Meu projeto solo que leva meu nome completo, Rodrigo Adriano Machado (faltou criatividade para inventar um nome artístico, talvez?) apareceu durante as gravações do EP. Dos Belos Cães Cantores. Como durante meu período musical no Sul também compus bastante coisa, há essas canções enfiadas no fundo da mala de viagem que eu trouxe para São Paulo. Mexer com banda é foda, saca? Três caras (banda) mais dois produtores (Estúdio) para alinhar tudo é muito complicado. Nos intervalos aproveitei para pegar o violão e registrar essas outras composições em um formato mais simplista e íntimo. Serão sete composições que irei lançar aos poucos. Os temas, como pede o violão folk, são mais introspectivos. Existe uma canção de sete minutos chamada Asa Gigante que fala sobre relações de poliamor. Acho que é a primeira música que tenho notícias que trata deste tema complicado com classe. Gostei de ter escrito esses versos:

Seis (6) olhos se procurando na noite / Cavalgando nossos animais favoritos / Penetrando o lugar de todos os sonhos / Despertando os prazeres da vida proibida.

Se os Cães se comportarem, posso até liberar para eles gravarem também. Quem se interessar pode encontrar uns materiais na página do Facebook: Página só do Rodrigo Adriano. Simples assim!

T. Como continuar produzindo?

R.A. Para mim o problema é o contrário: como não continuar produzindo! Eu produzo demais! Sou compulsivo. Se não estou escrevendo estou lendo ou tocando. A minha arte e a minha vida estão costuradas na minha carne. 

Lembre-se daquela frase do poema de Fernando Pessoa: “Viver não é preciso, navegar é preciso”, ou seja, a vida é a situação dada e o problema é o que produzir com ela. 

Lembro de uma manhã em que estava indo trabalhar em um emprego chato longe de casa, logo que cheguei em São Paulo. Eram tempos difíceis e estava desanimado. Li uma pichação próxima ao metrô: “Plante arroz e flores. Arroz para não morrer de fome e flores para ter pelo que viver”. Descobri depois que era uma adaptação de uma frase de Confúcio, enfim. Eu estava indo plantar o arroz e estava triste porque esqueci de plantar as minhas flores… Espero que essa entrevista seja uma flor bonita que plantei aqui. Mesmo que a beleza seja relativa aos olhos de quem vê, né? 

 

Rodrigo Adriano Machado. Vocalista, guitarrista, compositor.
Mestre em Filosofia (PUC-SP).

Sobre o autor

Pernambucano sobrevivendo em São Paulo. Agora de máscara.

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