Exposição com retratos de travestis e transformistas na década de 1970

A mostra, que abre no dia 9 de fevereiro, reúne imagens de personagens que Schwartz registrou na cena alternativa da cidade. A seleção também cria diálogos com a produção de países latino-americanos no período

Para celebrar o centenário de Madalena Schwartz (1921-1993), o IMS Paulista inaugura a exposição As metamorfoses, no dia 9 de fevereiro (terça-feira). A mostra exibe o ensaio no qual a fotógrafa registrou travestis e transformistas que frequentavam a cena alternativa de São Paulo, na primeira metade dos anos 1970, em plena ditadura militar. Há retratos de nomes como Ney Matogrosso e os integrantes do grupo Dzi Croquettes, até figuras hoje menos conhecidas.

Como ponto de partida, a mostra apresenta ao público a trajetória singular de Schwartz, uma das grandes expoentes da fotografia paulistana, cujo acervo está sob a guarda do IMS. Nascida em 1921, em Budapeste, Schwartz emigrou, aos 12 anos, para a Argentina. Em Buenos Aires, a jovem húngara se casou e teve dois filhos. Em 1960, com quase 40 anos, mudou-se com sua família para São Paulo, onde abriu uma lavanderia na rua Nestor Pestana, no centro da cidade. 

Esta exposição, como afirmado anteriormente, concentra-se em um conjunto específico de imagens de Schwartz, parcialmente publicado no livro Crisálidas, lançado pelo IMS em 2012. Nele, a fotógrafa documenta os universos travesti e transformista do centro de São Paulo nos anos 1970. Personagens que conheceu em sua própria rotina, no percurso entre a lavanderia de sua propriedade, na rua Nestor Pestana, e o edifício Copan, onde morava com sua família. 

Amante de teatro, a fotógrafa iniciou a série de retratos com personalidades do palco e das telas de televisão: os integrantes do grupo Dzi Croquettes nos camarins, o cantor Ney Matogrosso durante uma performance, a atriz Elke Maravilha, o performer argentino Patrício Bisso (seu vizinho no Copan), e assim por diante. Persistindo no tema, passou a fotografar personagens menos conhecidas, que ganhavam a vida em salões de cabeleireiro ou nos palcos de boates. Grande parte dos retratos eram realizados em seu estúdio improvisado, em sua própria casa, em um ambiente de troca e cumplicidade.

Além das fotos de Schwartz, a mostra exibe exemplares dos periódicos Lampião da Esquina e Chana com Chana, jornais de vanguarda produzidos pela comunidade gay e lésbica da época, cartazes de filmes, como A rainha diaba e O beijo da mulher aranha, clipes de televisão, fotos de acervos pessoais, entre outros itens, que documentam esse universo de contestação aos padrões conservadores vigentes. Outro destaque é um mapa do centro de São Paulo na década de 1970, concebido especialmente para a mostra, com os principais pontos alternativos da capital no período.

Serviço
Madalena Schwartz
As metamorfoses
Travestis e transformistas na São Paulo dos anos 70
Abertura: 9 de fevereiro (terça-feira)
Visitação: até 13 de junho
Entrada gratuita

Para visitar a mostra, é preciso realizar agendamento prévio no seguinte site: www.sympla.com.br/imspaulista

Sobre o autor

Desenvolvi a identidade visual do Sobreviva em São Paulo e criei o blog quando a página no Facebook tinha mais ou menos um ano. Atualmente, além de produzir contéudo para o blog e cuidar do back-end, tenho foco no gerenciamento dos perfis do Instagram e Pinterest. Sou graduado em publicidade e propaganda, pós graduado em gestão empresarial e marketing pela ESPM e trabalho em uma agência de publicidade.

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