Monsters of Rock 2026 transforma Allianz Parque em templo do rock com shows marcantes
No último dia 4 de abril, os deuses do rock abençoaram São Paulo com mais uma edição do Monsters of Rock, o mais tradicional festival exclusivo de rock do país. O Allianz Parque recebeu milhares de pessoas que comungaram a vontade de ver grandes estrelas do gênero, como o Guns n’ Roses e o Lynyrd Skynyrd, além de bandas das novas gerações.
Ah, neste ano o festival foi especial também por reunir, em um só dia, três dos guitarristas mais idolatrados e até endeusados por quem é fã do instrumento.
Jayler e Dirty Honey
No final da manhã, a banda britânica Jayler abriu a sequência de shows, seguido pelo Dirty Honey, dos EUA, que subiu ao palco entre meio-dia e 13h. Ambas as bandas têm similaridades consideráveis: são novas, de 2022 (Jayler) e 2017 (Dirty Honey), emergentes na cena, e compartilham uma vibe setentista, tanto no visual quanto na sonoridade. O Jayler, aliás, já chegou a ser comentado na mídia por ter algumas semelhanças sonoras com o Led Zeppelin.

Yngwie Malmsteen
O sexagenário guitarrista sueco Yngwie Malmsteen foi a terceira atração do festival. Lembra que falei dos três guitarrista que, junto com outros, ocupam o panteão do instrumento? Malmsteen é o primeiro deles. Sua apresentação foi um prato cheio pra quem gosta de solos de guitarra.
Considerado um dos guitarristas mais virtuosos do mundo, Malmsteen construiu sua sólida e respeitada carreira com base em solos repletos de técnica. Foi exatamente isso que ele mostrou no Monsters, com sua banda de apoio sendo secundária em meio a solos que, ao mesmo tempo que prendiam a atenção de alguns, permitiam que muitos espectadores descansassem para curtir as próximas atrações.

Halestorm
Banda com quase 30 anos de bagagem, o Halestorm foi o que veio a seguir. O que se viu no palco, basicamente, foi um show a parte da vocalista Lizzy Hale, que fundou a banda com seu irmão, o baterista Arejay. Com o microfone em mãos, Lizzy mostrou a versatilidade gigante da sua voz. Não à toa, ela é uma das vozes femininas mais elogiadas do rock atual.
Mas não foi só com a voz que Lizzy conquistou o público. A cantora e guitarrista transbordou carisma à frente do quarteto. Do setlist, “I Miss the Misery” e “Love Bites (So Do I)” merecem destaque.

Extreme
A quinta atração do dia entrou no palco carregando a fama de ser banda de um sucesso só. Na verdade, dois. O Extreme é imediatamente associado à baladinha “More Than Words”, que fez muito sucesso nos anos 90 e levou o nome da banda ao mundo. O outro sucesso deles é “Hole Hearted”, mas não chega aos pés de “More Than Words” em termos de popularidade.
No show, o vocalista Gary Cherone mostrava muita energia, fazendo poses ao cantar e circulando pelo palco como se estivesse em um parque de diversões.
O setlist contemplou os dois sucessos do Extreme em meio a outras nove músicas – desconhecidas de quase toda a plateia. Em “More Than Words”, foi inusitado ver como o público acompanhou o cantor em um coro de voz suave, como ele faz na canção. Além disso, quase toda a plateia pegou o celular para registrar Cherone cantando a música acompanhado apenas pelo violão de Nuno Bettencourt, o segundo da tríade de guitarristas idolatrados que o festival reuniu em um único dia no Allianz Parque.

Lynyrd Skynyrd
Com seus poucos mais de 60 anos de carreira, o Lynyrd Skynyrd tem uma história que daria um texto a parte. Herdando um legado de muita honra, a banda hoje é liderada pelo vocalista Johnny Van Zant, irmão do vocalista original, Ronnie Van Zant, morto num acidente aéreo em 1977 junto com outros dois integrantes originais.
Pela sua importância e trajetória na música, o Lynyrd Skynyrd faz jus ao nome do festival. O grupo levou a essa sua primeira participação no Monsters of Rock seus maiores clássicos em um show que, para muitos, foi melhor do que a apresentação da banda principal.
Sucessos que atravessaram décadas, “Simple Man” e “Sweet Home Alabama” foram muito celebrados, mas o destaque fica pra dois momentos que emocionaram: quando eles tocaram a linda “Tuesday’s Gone”, dedicada à memória de Gary Rossington (1951-2023), último membro da formação original a falecer, em 2023; e a canção que fechou o show, “Free Bird”, quando o telão mostrava cenas dos integrantes que não estão mais aqui, em uma bela homenagem, e até mesmo sincronizou um vídeo antigo de Ronnie Van Zant cantando ao mesmo tempo em que seu irmão cantava a música ao vivo. Nessas horas, era flagrante a emoção nos rostos de muitos fãs, que não evitaram as lágrimas.

Guns n’ Roses
A atração mais aguardada do Monsters of Rock 2026 entrou com tudo, iniciando sua performance com “Welcome to the Jungle”, como tem feito em toda a turnê. Capitaneado pela santíssima trindade Axl Rose (vocal), Slash (guitarra) e Duff McKagan (baixo), o Guns tocou fogo no Allianz Parque.
Mesmo com um tempo de show menor do que sua última vinda a São Paulo, em outubro de 2025, a banda espalhou em 2 horas e meia de setlist a maioria dos seus principais sucessos, músicas mais recentes e covers. Destoando do que a banda vinha tocando, “Rocket Queen” estreou na turnê, “Junior’s Eyes”, do Black Sabbath, foi tocada pela primeira vez como um dos covers selecionados, e as pouco lembradas “Dead Horse” e “Bad Apples” foram executadas ao vivo depois de muito tempo.
Fora isso, a maioria esmagadora dos clássicos esperados, como “You Could Be Mine”, “Civil War”, “Sweet Child O’ Mine”, “November Rain” e “Paradise City”, figuraram no repertório, com exceção de “Don’t Cry” e “Patience”, cujas ausências foram sentidas.

Sobre a performance, destacam-se a movimentação de Axl, que se já não tem mais a mesma voz do século passado, compensa isso com sua energia em cima do palco, andando de um lado para o outro e até dançando com o microfone em alguns momentos; e também a capacidade técnica dos guitarristas, que adoram pegar um tempo das músicas para solar seus instrumentos.
Slash, o terceiro e último guitarrista dos “deuses da guitarra” que nos visitaram no Monsters este ano, teve no mínimo uns quatro momentos dedicados aos seus solos. O que ele faz muito bem!
Assim, o Monsters of Rock 2026 atendeu com louvor as expectativas e já deixou aquela ansiedade sobre a próxima edição. Quem será que vem no próximo Monsters?

Produção
No intervalo entre os shows do Lynyrd Skynyrd e do Guns n’ Roses, o Monsters of Rock 2026 mostrou que realmente cultua a alma do rock e homenageou, em seus telões, grandes rockeiros internacionais e brasileiros que nos deixaram desde 2010, gerando mais um momento emocionante além dos shows.
E por falar nos telões, está neles outra inovação desta edição. Mais do que telas planas, a Mercury Concerts, produtora do festival, instalou aos dois lados do palco telões curvos, que otimizaram a visibilidade de todos os setores da plateia na arena.
