Últimos dias da mostra no MuBE que reúne arquitetura de Paulo Mendes da Rocha e obras de Amilcar de Castro

Últimos dias da mostra no MuBE que reúne arquitetura de Paulo Mendes da Rocha e obras de Amilcar de Castro

  1. Como uma homenagem a Paulo Mendes da Rocha, arquiteto responsável pelo projeto do MuBE falecido recentemente, o museu prorroga até o dia 19/09 a mostra “Amilcar de Castro: na dobra do mundo”, última colaboração de Mendes da Rocha com o MuBE.

Para os interessados que não residem em São Paulo, é possível acessar a visita virtual.
 
Cerca de 120 obras do escultor neoconcreto, artista visual e designer gráfico Amilcar de Castro estão expostas nos espaços internos e externos do MuBE (Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia), edificação icônica projetada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, vencedor dos mais importantes prêmios do mundo em seu campo de atuação, incluindo o Pritzker, o Leão de Ouro de Veneza e a recentemente anunciada Medalha de Ouro de 2021 da União Internacional de Arquitetos, reconhecimento de seu notável trabalho.

A exposição “Amilcar de Castro: na dobra do mundo” é uma homenagem ao centenário do multitalentoso artista mineiro, um dos maiores expoentes brasileiros da arte e da cultura, muito conhecido por suas esculturas. Partindo de chapas de aço Corten sólidas, espessas e planas, na sua maioria sem soldaduras ou parafusos, as suas obras conquistam o espaço com gestos simples e incisivos como cortar e dobrar. Assim como as obras de Mendes da Rocha, as esculturas e pinturas “simples, secas e fortes” de Amilcar de Castro influenciaram de forma marcante as gerações seguintes.

Mendes da Rocha, que admirava a obra de Amilcar de Castro, participou da expografia da mostra, escolhendo a colocação de quatro das peças mais importantes da exposição. Entre elas, uma impressionante peça em escala monumental de Amilcar de Castro, com quase 18 metros de altura e 27 toneladas de peso, que, pela primeira vez, saiu de Uberaba (MG) e percorreu 480 km para chegar ao Museu, em São Paulo. Foi necessária uma grande operação de engenharia para transportar e instalar esta obra no MuBE no local exato escolhido pelo arquiteto.

As outras três obras posicionadas por Mendes da Rocha incluem duas enormes pinturas, de 12 metros de comprimento cada, que flutuam no centro da principal área de exposição interna, e uma escultura de 4 metros de altura com 3,5 toneladas que quase toca o teto. Esta foi a última colaboração de Mendes da Rocha com o MuBE, pouco antes de seu falecimento, em 23 de maio. Em tributo ao arquiteto, o museu prorroga a exposição até setembro

Tanto Paulo Mendes de Rocha, quanto Amilcar de Castro, usavam o papel para dar forma às suas ideias através de maquetes. Cortes e dobras nas mãos desses dois grandes mestres faziam com o que o plano ganhasse o espaço. Como comenta o próprio Mendes da Rocha em seu livro “Maquetes de papel”, “Não se trata dessa maquete que é feita para ser exibida e eventualmente vender ideias. É a maquete como croqui. A maquete em solidão! Não é para ser mostrado a ninguém. A maquete que você faz como um ensaio daquilo que está imaginando. O croqui, o boneco, um conto. Como o poeta quando rabisca, quando toma nota. O croqui que ninguém discute. É a maquete como instrumento de desenho. Em vez de desenhar, você faz maquete.”. Como exercício mental, Mendes da Rocha fazia também maquetes de papel de obras de Amilcar de Castro, algumas das quais expostas no MuBE durante a mostra em homenagem ao artista mineiro. Maquetes de papel feitas por Amilcar também estarão disponíveis no museu a partir do início de julho.

De acordo com o curador Guilherme Wisnik, “Sóbrias e desafiadoras, as respostas artísticas de Amilcar de Castro e Paulo Mendes da Rocha se baseiam na concepção virtuosa do projeto. Um projeto entendido como uma afirmação de desejos que se realiza de acordo com a técnica e o material. Assim, imaginando a ideia de uma sociedade capaz de planejar seu futuro e mensurar as consequências de suas ações, responsabilizando-se por elas. Algo que, no Brasil de hoje, volta a ter um sentido urgente.”.

Para os interessados que não residem em São Paulo ou não poderão comparecer ao MuBE, é possível acessar a visita virtual, disponível no site da instituição, que conta com um compilado extenso de materiais, entre eles textos, comentários dos curadores, vídeos de bastidores e atividades educativas. Quem passar em frente ao museu, a pé, de ônibus ou carro, também consegue contemplar as obras da parte externa e acessar os conteúdos via QR code, disponibilizado em banners na fachada.

A mostra é realizada em parceria com o Instituto Amilcar de Castro e tem curadoria de Guilherme Wisnik (professor da FAU-USP, crítico de arte e curador), e co-curadoria de Rodrigo de Castro (filho do artista e diretor do Amilcar de Instituto Castro) e Galciani Neves (curador-chefe do MuBE).

Mais sobre Amilcar de Castro
Nascido em Paraisópolis, Minas Gerais, em 1920, Amilcar ingressou na Escola de Arquitetura e Belas Artes em 1944, e logo no ano seguinte foi convidado para expor suas obras no 51º Salão Nacional de Belas Artes. Desde então, o artista seguiu seu movimento de ascensão ao rol dos maiores artistas brasileiros de todos os tempos.
Em março de 1959, assina o Manifesto Neoconcreto – publicado no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil -, redigido por Ferreira Gullar e também assinado por Lygia Clark, Lygia Pape, Reynaldo Jardim, Franz Weissmann e Theon Spanudis. Nasce aí o movimento Neoconcreto brasileiro, inspirado na Bauhaus – escola de vanguarda alemã.

Mais sobre Paulo Mendes da Rocha
Paulo Archias Mendes da Rocha (Vitória, ES, Brasil, 25 de outubro de 1928 – São Paulo, SP, Brasil, 23 de maio de 2021). Arquiteto, urbanista e professor universitário, é reconhecido internacionalmente por seu trabalho ímpar. Graduou-se em 1954 pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo. Destacou-se desde muito cedo, aos 29 anos, ao vencer o concurso para a construção do Ginásio do Clube Atlético Paulistano, em 1958. Em 1961, tornou-se professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo – FAU / USP, a convite de Vilanova Artigas e integrou o grupo que constituiu a chamada “escola paulista” de arquitetura, cuja produção se caracteriza pelo uso “brutalista” do concreto armado e pela ênfase em soluções estruturais de grande porte.
Responsável pelo projeto do prédio do MuBE (1987), Mendes da Rocha recebeu os prêmios mais importantes da arquitetura mundial, incluindo o Pritzker em 2006 e o Leão de Ouro da Bienal de Veneza em 2016, entre outros.

Serviço:
Exposição “Amilcar de Castro: na dobra do mundo”
Até 19/09
Horário: quarta a domingo, de 11h às 17h
Local: Rua Alemanha 221, Jardim Europa – São Paulo (SP)
Entrada: gratuita e apenas mediante agendamento prévio pelo site https://www.mube.space/

Sobre o Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia
O MuBE, Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia, foi criado a partir da concessão do terreno, situado entre a Avenida Europa e a Rua Alemanha, pela Prefeitura de São Paulo à SAM – Sociedade dos Amigos dos Museus, no ano de 1986, para a construção de um Centro Cultural de Escultura e Ecologia.
Para a escolha do projeto do prédio do Museu, foi realizado um concurso vencido por Paulo Mendes da Rocha. Nascia então o MuBE e seu prédio que é um marco da arquitetura mundial e que conta também com o jardim projetado por Roberto Burle Marx.

Sobre o autor

Desenvolvi a identidade visual do Sobreviva em São Paulo e criei o blog quando a página no Facebook tinha mais ou menos um ano. Atualmente, além de produzir contéudo para o blog e cuidar do back-end, tenho foco no gerenciamento dos perfis do Instagram e Pinterest. Sou graduado em publicidade e propaganda, pós graduado em gestão empresarial e marketing pela ESPM e trabalho em uma agência de publicidade.

Comentários