Bangers Open Air 2026 agrada público com recomeços, despedidas e muito peso

Bangers Open Air 2026 agrada público com recomeços, despedidas e muito peso

Bangers Open Air 2026 agrada público com recomeços, despedidas e muito peso
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Realizado nos dias 25 e 26/04 no Memorial da América Latina, em São Paulo, o Bangers Open Air 2026 adicionou mais uma camada de credibilidade junto à sua alcunha de maior festival de heavy metal do Brasil. Com quatro palcos tendo shows simultâneos (incluindo um coberto, com cadeiras e ar condicionado), encontros históricos, veteranos em plena forma, bandas novas alcançando novos patamares no cenário e algumas surpresas, além dos eventos paralelos, o festival provou porque ocupa um lugar definitivo no calendário do entretenimento ao vivo no país.

O palco Waves era o único coberto, com assentos e ar condicionado

Nos dois dias, as milhares de pessoas de vários cantos do Brasil e de outros países que encheram o Memorial ainda ouviram, durante o próprio evento, a confirmação da edição de 2027, que será realizada em 24 e 25/04.

O palco Sun lotou sua pista na maioria dos shows

Sábado: distorção, gutural e mulheres no microfone

O sábado teve a missão de abrir os trabalhos com força suficiente para sustentar a expectativa que começou há cerca de um ano, quando esta edição foi anunciada oficialmente. Desde as primeiras horas, o festival já mostrava sua proposta de diversidade dentro do metal: o clima soturno e ritualístico do Lucifer, a sonoridade flutuante entre melodia e agressividade do Jinjer, o peso moderno e cru do Killswitch Engage, com o vocalista Jesse Leach indo saudar a galera na grade, a fúria enérgica e avassaladora do In Flames, que fez um dos shows mais elogiados do festival e evidenciou que tem porte de headliner, e a técnica recheada de solos de guitarra do Black Label Society, liderado pelo renomado guitarrista Zakk Wilde, que fez uma homenagem póstuma ao amigo baterista Vinnie Paul (1964 – 2018) e tocou “No More Tears”, do Ozzy Osbourne, foram alguns dos destaques; mas teve ainda o metal medieval com direito a figurino característico do Feuerschwanz, o heavy metal em celebração à cultura da cerveja feito pelo Tankard, e grandes representantes do rock pesado nacional, como o Violator, o Torture Squad e a Crypta.

O encerramento da primeira noite encontrou no Arch Enemy um headliner à altura. A banda sueca chegou cercada pela curiosidade sobre sua nova vocalista, Lauren Hart, que assumiu o microfone do grupo há poucos meses, e transformou isso em combustível. Além de ter um gutural admirável, Lauren foi puro carisma e conquistou o público ao se emocionar vendo a pista lotada. Ignorando qualquer comparação que poderia ser feita com sua antecessora, Alissa White-Gluz, Lauren se mostrou nitidamente feliz pela oportunidade e ajudou o grupo a transformar o show em algo mais humano do que apenas pesado. Quando clássicos como “The Eagle Flies Alone” e “No Gods, No Masters” ecoaram com força pelo Memorial, ficou evidente que o festival terminaria com o público exausto de felicidade.

Um ponto curioso e positivo deste primeiro dia foi a concentração de bandas com vocalistas femininas que cantam usando gutural, como Tatiana Shmailyuk, do Jinjer, May Puertas, do Torture Squad, Fernanda Lira, da Crypta, e Lauren Hart. Todas extremamente talentosas!

A Crypta, de Fernanda Lira, foi atração do palco Sun

Domingo: recomeços e despedidas

Se em seu lineup o sábado privilegiou bandas significativas do metal pós-anos 2000 de forma geral, com algumas exceções, o domingo trabalhou mais com memória afetiva e senso de legado. 

Um momento que simboliza isso veio com o retorno do Nevermore. O renascimento da banda depois de tanto tempo, agora com novíssima formação, funcionou justamente por não recriar o passado de forma artificial. A sensação era de assistir a uma banda tentando abrir um novo capítulo na sua trajetória.

O Nevermore foi ao evento com nova formação

Outras bandas que confirmaram o acerto das suas escalações para o festival foram o Primal Fear, um dos poucos representantes do power metal, o obscuro Roy Khan, a mescla de glam com hard rock do Crazy Lixx, o Winger, que infelizmente está se despedindo da música, o Smith/Koten, formado pelos renomados Richie Kotzen (ex-Poison e Mr. Big) e Adrian Smith (guitarrista do Iron Maiden), auxiliados pelos brasileiros Bruno Valverde na bateria e Julia Lage no baixo, o pesadíssimo Krisiun e o Within Temptation, considerado um dos melhores shows do dia, com a vocalista Sharon den Adel dominando o palco com movimentos leves e sua voz sutil e doce.

Richie Kotzen e Adrian Smith formam o Smith/Kotzen

Mas as grandes emoções do domingo ficaram mesmo para o Angra. A histórica reunião da formação da ‘Nova Era’ e a despedida oficial de Fabio Lione do vocal deram ao festival um raro sentimento de rito coletivo. Foi quase como uma cerimônia de passagem: a celebração de uma fase importante e, ao mesmo tempo, o reconhecimento de que certas despedidas só fazem sentido quando compartilhadas com os fãs presentes. Além de Lione, o novo vocalista Alírio Netto e Edu Falaschi, que também tem história com o grupo, revezaram e até dividiram o palco harmoniosamente.

O Angra com Alírio Netto no vocal

Os outros integrantes da reunião, atuais ou antigos, deixaram claro que o espírito do Angra é vivo independente de quem ocupe os instrumentos, já que todos brilharam na celebração. Pontos altos da apresentação? Vários! Em 2h15 em cima do palco, a banda provocou uma montanha russa de emoções.

Em um evento cheio de atrações internacionais, são justamente momentos protagonizados por uma banda brasileira que devem ficar mais claros na memória do público.

Eventos paralelos

Como sempre, a Horror Expo Experience marcou presença no Bangers Open Air com a exposição e venda de itens relacionados ao mundo do horror e da fantasia, além dos cosplayers que sempre passeiam pelo Memorial e um labirinto imersivo que desafiava o público no melhor estilo “escape game”. É um evento que antecede a Horror Expo Brasil, maior evento do tema em toda a América do Sul, que acontece em São Paulo em outubro.

Teve ainda um estúdio de tattoo montado especialmente para o festival, para que o público pudesse fazer uma nova tatuagem enquanto ouvia heavy metal ao vivo de fundo.

O que faltou para tirar 10

Mesmo que o Bangers Open Air 2026 tenha terminado com sua missão cumprida, nem tudo foram flores. Reclamações de alguns presentes sobre a desorganização na entrada, quando a abertura dos portões atrasou consideravelmente e alguns fãs chegaram a perder os primeiros shows devido ao tamanho da fila que se formou, e também manifestações negativas em relação à qualidade do som em uma ou outra apresentação, como a do Black Label Society, deixam pontos a serem revistos para a próxima edição, mesmo que não tenham estragado a experiência do público desta vez.

Pontos negativos à parte, o evento reforçou sua vocação como principal festival do metal no país. Não apenas pela escala, mas pela capacidade de reunir diferentes gerações e subgêneros sem perder a identidade.

Aliás, anunciar a edição de 2027 enquanto a de 2026 ainda acontecia mostra como o festival deixou de ser uma promessa para se tornar tradição. E sua maior conquista talvez seja fazer o fã sair no domingo já pensando em voltar no ano seguinte. A contagem regressiva já começou!

Fotos: Piero Paglarin

 
 
 
 
 

Sobre o autor

Publicitário, especializado em Marketing e Comunicação Integrada. Amante da vida, encantado por pessoas e suas singularidades. Fã inveterado de filmes de terror, ouvinte assíduo de música jamaicana e rock pesado. E, claro: Vai, Corinthians!

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