Monsters of Rock 2026 transforma Allianz Parque em templo do rock com shows marcantes

Monsters of Rock 2026 transforma Allianz Parque em templo do rock com shows marcantes

Monsters of Rock 2026 transforma Allianz Parque em templo do rock com shows marcantes
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No último dia 4 de abril, os deuses do rock abençoaram São Paulo com mais uma edição do Monsters of Rock, o mais tradicional festival exclusivo de rock do país. O Allianz Parque recebeu milhares de pessoas que comungaram a vontade de ver grandes estrelas do gênero, como o Guns n’ Roses e o Lynyrd Skynyrd, além de bandas das novas gerações.

Ah, neste ano o festival foi especial também por reunir, em um só dia, três dos guitarristas mais idolatrados e até endeusados por quem é fã do instrumento.

Jayler e Dirty Honey

No final da manhã, a banda britânica Jayler abriu a sequência de shows, seguido pelo Dirty Honey, dos EUA, que subiu ao palco entre meio-dia e 13h. Ambas as bandas têm similaridades consideráveis: são novas, de 2022 (Jayler) e 2017 (Dirty Honey), emergentes na cena, e compartilham uma vibe setentista, tanto no visual quanto na sonoridade. O Jayler, aliás, já chegou a ser comentado na mídia por ter algumas semelhanças sonoras com o Led Zeppelin.

Jayler (foto: Ricardo Matsukawa)

Yngwie Malmsteen

O sexagenário guitarrista sueco Yngwie Malmsteen foi a terceira atração do festival. Lembra que falei dos três guitarrista que, junto com outros, ocupam o panteão do instrumento? Malmsteen é o primeiro deles. Sua apresentação foi um prato cheio pra quem gosta de solos de guitarra.

Considerado um dos guitarristas mais virtuosos do mundo, Malmsteen construiu sua sólida e respeitada carreira com base em solos repletos de técnica. Foi exatamente isso que ele mostrou no Monsters, com sua banda de apoio sendo secundária em meio a solos que, ao mesmo tempo que prendiam a atenção de alguns, permitiam que muitos espectadores descansassem para curtir as próximas atrações.

Yngwie Malmsteen (foto: Ricardo Matsukawa)

Halestorm

Banda com quase 30 anos de bagagem, o Halestorm foi o que veio a seguir. O que se viu no palco, basicamente, foi um show a parte da vocalista Lizzy Hale, que fundou a banda com seu irmão, o baterista Arejay. Com o microfone em mãos, Lizzy mostrou a versatilidade gigante da sua voz. Não à toa, ela é uma das vozes femininas mais elogiadas do rock atual.

Mas não foi só com a voz que Lizzy conquistou o público. A cantora e guitarrista transbordou carisma à frente do quarteto. Do setlist, “I Miss the Misery” e “Love Bites (So Do I)” merecem destaque.

Halestorm (foto: Ricardo Matsukawa)

Extreme

A quinta atração do dia entrou no palco carregando a fama de ser banda de um sucesso só. Na verdade, dois. O Extreme é imediatamente associado à baladinha “More Than Words”, que fez muito sucesso nos anos 90 e levou o nome da banda ao mundo. O outro sucesso deles é “Hole Hearted”, mas não chega aos pés de “More Than Words” em termos de popularidade. 

No show, o vocalista Gary Cherone mostrava muita energia, fazendo poses ao cantar e circulando pelo palco como se estivesse em um parque de diversões.

O setlist contemplou os dois sucessos do Extreme em meio a outras nove músicas – desconhecidas de quase toda a plateia. Em “More Than Words”, foi inusitado ver como o público acompanhou o cantor em um coro de voz suave, como ele faz na canção. Além disso, quase toda a plateia pegou o celular para registrar Cherone cantando a música acompanhado apenas pelo violão de Nuno Bettencourt, o segundo da tríade de guitarristas idolatrados que o festival reuniu em um único dia no Allianz Parque.

Extreme (foto: Piero Paglarin)

Lynyrd Skynyrd

Com seus poucos mais de 60 anos de carreira, o Lynyrd Skynyrd tem uma história que daria um texto a parte. Herdando um legado de muita honra, a banda hoje é liderada pelo vocalista Johnny Van Zant, irmão do vocalista original, Ronnie Van Zant, morto num acidente aéreo em 1977 junto com outros dois integrantes originais.

Pela sua importância e trajetória na música, o Lynyrd Skynyrd faz jus ao nome do festival. O grupo levou a essa sua primeira participação no Monsters of Rock seus maiores clássicos em um show que, para muitos, foi melhor do que a apresentação da banda principal.

Sucessos que atravessaram décadas, “Simple Man” e “Sweet Home Alabama” foram muito celebrados, mas o destaque fica pra dois momentos que emocionaram: quando eles tocaram a linda “Tuesday’s Gone”, dedicada à memória de Gary Rossington (1951-2023), último membro da formação original a falecer, em 2023; e a canção que fechou o show, “Free Bird”, quando o telão mostrava cenas dos integrantes que não estão mais aqui, em uma bela homenagem, e até mesmo sincronizou um vídeo antigo de Ronnie Van Zant cantando ao mesmo tempo em que seu irmão cantava a música ao vivo. Nessas horas, era flagrante a emoção nos rostos de muitos fãs, que não evitaram as lágrimas.

Lynyrd Skynyrd (foto: Piero Paglarin)

Guns n’ Roses

A atração mais aguardada do Monsters of Rock 2026 entrou com tudo, iniciando sua performance com “Welcome to the Jungle”, como tem feito em toda a turnê. Capitaneado pela santíssima trindade Axl Rose (vocal), Slash (guitarra) e Duff McKagan (baixo), o Guns tocou fogo no Allianz Parque. 

Mesmo com um tempo de show menor do que sua última vinda a São Paulo, em outubro de 2025, a banda espalhou em 2 horas e meia de setlist a maioria dos seus principais sucessos, músicas mais recentes e covers. Destoando do que a banda vinha tocando, “Rocket Queen” estreou na turnê, “Junior’s Eyes”, do Black Sabbath, foi tocada pela primeira vez como um dos covers selecionados, e as pouco lembradas “Dead Horse” e “Bad Apples” foram executadas ao vivo depois de muito tempo.

Fora isso, a maioria esmagadora dos clássicos esperados, como “You Could Be Mine”, “Civil War”, “Sweet Child O’ Mine”, “November Rain” e “Paradise City”, figuraram no repertório, com exceção de “Don’t Cry” e “Patience”, cujas ausências foram sentidas.

Guns n’ Roses (foto: Guns n’ Roses)

Sobre a performance, destacam-se a movimentação de Axl, que se já não tem mais a mesma voz do século passado, compensa isso com sua energia em cima do palco, andando de um lado para o outro e até dançando com o microfone em alguns momentos; e também a capacidade técnica dos guitarristas, que adoram pegar um tempo das músicas para solar seus instrumentos.

Slash, o terceiro e último guitarrista dos “deuses da guitarra” que nos visitaram no Monsters este ano, teve no mínimo uns quatro momentos dedicados aos seus solos. O que ele faz muito bem!

Assim, o Monsters of Rock 2026 atendeu com louvor as expectativas e já deixou aquela ansiedade sobre a próxima edição. Quem será que vem no próximo Monsters?

Mais uma vez, o Monsters of Rock lotou o Allianz Parque (foto: Guns n’ Roses)

Produção

No intervalo entre os shows do Lynyrd Skynyrd e do Guns n’ Roses, o Monsters of Rock 2026 mostrou que realmente cultua a alma do rock e homenageou, em seus telões, grandes rockeiros internacionais e brasileiros que nos deixaram desde 2010, gerando mais um momento emocionante além dos shows.

E por falar nos telões, está neles outra inovação desta edição. Mais do que telas planas, a Mercury Concerts, produtora do festival, instalou aos dois lados do palco telões curvos, que otimizaram a visibilidade de todos os setores da plateia na arena.

 

 

Sobre o autor

Publicitário, especializado em Marketing e Comunicação Integrada. Amante da vida, encantado por pessoas e suas singularidades. Fã inveterado de filmes de terror, ouvinte assíduo de música jamaicana e rock pesado. E, claro: Vai, Corinthians!

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