Guns N’ Roses fecha SPTrip com mais de 3 horas de show

Guns N’ Roses fecha SPTrip com mais de 3 horas de show

Como tudo o que é bom dura pouco, o festival São Paulo Trip chegou ao fim ontem. Foram quatro noites, dez bandas, milhares de pessoas e infinitas emoções que tomaram conta do Allianz Parque nos dias 21, 23, 24 e 26 de setembro. Das bandas que tocaram, seis delas seguramente fazem parte da história do rock n’ roll da música mundial – incluo aqui, além dos quatro headliners, o Def Leppard e o Alice Cooper.

Depois dos showzaços que o The Who fez no dia 21, o Bon Jovi fez no dia 23 (leia a resenha) e o Aerosmith fez no dia 24 (leia a resenha), o dia 26 reservava para o público uma das mais aclamadas e polêmicas bandas dos anos 90: o Guns N’ Roses. Com o trio de ferro de sua formação original – Axl Rose (vocalista), Slash (guitarrista) e Duff McKagan (baixista) -, além do tecladista e percussionista Dizzy Reed, que está no grupo desde 1990, e dos membros que entraram no grupo nos 2000, Richard Fortus (guitarrista), Frank Ferrer (baterista) e Melissa Reese (tecladista), o Gn’R era uma das bandas mais aguardadas do festival.

Para a abertura da noite, a banda até então desconhecida Tyler Bryant & the Shakedown e o lendário e renomado Alice Cooper foram os artistas convocados. Enquanto o primeiro veio para apresentar seu trabalho para o público brasileiro, o segundo já é consagradíssimo e carrega em sua vasta trajetória musical uma enorme legião de fãs, sendo influência para muitas bandas de rock de todo o mundo.

Tyler Bryant & the Shakedown entrou para tocar antes de anoitecer, servindo de aperitivo para o que estava por vir. Momentos depois, foi a vez de Mr. Alice Cooper – com seus joviais 69 anos – subir ao palco com sua banda. Alice fez uma performance quase teatral, fazendo jus à sua fama, e entreteve o público – já consideravelmente maior do que na apresentação anterior – , que assistiu o músico tocar hits como “No More Mr. Nice Guy”, “Poison” e “Paranoiac Personality”, música de seu mais novo álbum, lançado neste ano. Alice Cooper foi Alice Cooper, ou seja, fez um baita show!

Alice Cooper

Cerca de uma hora depois da saída de Alice Cooper e sua banda do palco, começaria o show do Guns N’ Roses, prato principal da noite. Pelo recente histórico da banda no Brasil, é claro que ficou aquela expectativa para saber se os caras seriam pontuais. No show da banda no Rock In Rio, no dia 23, eles atrasaram “apenas” 20 minutos. E aqui, como seria?

Resposta: sob a conhecida vinheta do desenho animado Looney Tunes, Axl, Slash, Duff e companhia entraram no palco por volta das 20h45, 15 minutos após o horário previsto. Saudados pelo público, o grupo começou o show com”It’s So Easy”, para seguir com “Mr. Brownstone”. Porém, já nesse começo ficou evidente algo visto no show dos caras no Rock In Rio: na Cidade do Rock, muitos criticaram e até fizeram piada com a voz de Axl. Ficou claro naquela ocasião – e também aqui – que a voz e o fôlego do cara estão longe de serem os mesmos que os fãs se acostumaram a ouvir… Ele até começou cantando bem, mas logo essas questões vieram à tona.

A solução que a banda encontrou para isso não era ruim: para compensar a falta de voz e fôlego de Axl, Slash mostrou porque é um guitarrista hiper conceituado e fez inúmeros e longos solos de guitarra durante todo o show, a fim de que o frontman tivesse tempo para recuperar sua potência vocal entre as músicas. Mas Axl é digno de elogios porque, mesmo com as deficiências, se esforçou durante toda a apresentação para entregar ao público o máximo que podia. Ele e Slash eram os músicos mais animados do Guns, e por várias vezes passeavam pelas extensões laterais e pela passarela central do palco.

Assim, com essas variáveis: voz do esforçado Axl longe de estar 100%, Slash solando como se não houvesse amanhã, Richard Fortus também mostrando seu talento com muitos solos e os outros músicos – liderados por Duff – mostrando um enorme carisma, o show do Guns aconteceu… durante cerca de 3 horas e 15 minutos!

Quanto ao extenso setlist, houve uma mescla de sucessos marcantes e que não podiam faltar – como “Welcome to the Jungle”, “Live and Let Die”, “You Could Be Mine”, “Civil War”, “November Rain” (que contou com Axl no piano e o famoso solinho de Slash no final), “Knockin’ On Heaven’s Door”, “Patience” e “Paradise City” (derradeira da noite) – com covers, dos quais se destacam “I Feel Good” (James Brown), “Wish You Were Here” (Pink Floyd), “Black Hole Sun (Soundgarden – tocada em homenagem a Chirs Cornell) e “The Seeker” (The Who) – e outras músicas menos famosas da banda, além de muitos solos de guitarra no meio de tudo isso.

Apenas quando eram umas 23h30, mais de duas horas e meia após o início da apresentação, foi possível ver o pessoal começando a deixar o Allianz Parque. Mas é claro que a maioria ficou até o final, mesmo numa terça-feira.

A produção cenográfica do show também foi bastante elaborada, com o telão central do palco sempre alternando animações alusivas à banda e a algumas músicas.

Enfim, apesar das limitações vocais de Axl, o show do Guns N’ Roses agradou seu público e foi um fechamento com chave de ouro pro São Paulo Trip. Agora, fica a torcida para haver uma 2ª edição do festival no ano que vem, mesmo sem Rock In Rio. Será que vai rolar? Já cruzei meus dedos aqui…

Confira as duas páginas de setlist do Guns N’ Roses no São Paulo Trip:

 

 

Fotos: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Sobre o autor

Publicitário, especializado em Marketing e Comunicação Integrada. Amante da vida, encantado por pessoas e suas singularidades. Fã inveterado de filmes de terror, ouvinte assíduo de música jamaicana e rock pesado. Vive uma relação de amor e ódio com São Paulo. E, claro: Vai, Corinthians!

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