Multiartista Raquel Trindade ganha mostra no Sesc 24 de Maio

Multiartista Raquel Trindade ganha mostra no Sesc 24 de Maio

O Sesc 24 de Maio (Rua 24 de Maio, 109 – República) está recebendo, até 12 de dezembro, a exposição Olhares Inspirados, que homenageia e traz à tona toda a importância cultural e artística da multiartista pernambucana Raquel Trindade (1936-2018).

A mostra se estabelece em torno da influência social e cultural de Raquel a partir de sua trajetória de vida e obra, as quais são tomadas como elementos disparadores para novas criações artísticas. A ocupação homenageia a Rainha Kambinda (como era conhecida a artista) e faz articulações sobre sua trajetória e legado artístico.

“Olhares Inspirados” é composta por um núcleo central dedicado a Raquel, com pesquisa da curadora, artista, educadora, doutora em Artes Visuais e professora Renata Felinto, trazendo, além de obras, objetos pessoais da griot (guardiã de saberes ancestrais africanos) e multiartista nordestina.

Os outros núcleos da ocupação serão compostos por obras inéditas de artistas negras e afro-indígenas da cidade de São Paulo que reinterpretam, a partir de diferentes linguagens, aspectos presentes na vida e obra de Raquel Trindade. Nesses núcleos, as obras vão ganhando forma no decorrer da mostra como “work in progress” (trabalho em processo).

A exposição pode ser visitada gratuitamente a partir de amanhã (19), de terça a domingo, até o dia 12/12. Devido aos protocolos contra a disseminação da Covid-19, é necessário fazer agendamento prévio da visitação por este link, onde é possível também conferir mais informações sobre as medidas de segurança adotadas pelo Sesc.

Raquel Trindade

Nascida no Recife em 1936, Raquel Trindade foi escritora, coreógrafa, artista plástica, carnavalesca, ativista contra o racismo e defensora do teatro e cultura popular afro-brasileira. Filha da coreógrafa e terapeuta Maria Margarida Trindade e do escritor Solano Trindade, estabeleceu-se com a família em Embu das Artes, na região metropolitana de SP. Em 1975, fundou o Teatro Popular Solano Trindade, tornando-se um local de referência para a cultura afro-brasileira. Conhecida como Rainha Kambinda, foi criadora da Nação Kambinda de Maracatu, oferecendo oficinas de dança e ritmos populares afro-brasileiros. Por seu reconhecimento artístico e de luta contra o racismo, entre 1987 e 1992, foi convidada a lecionar Teatro Negro e Sincretismo Religioso na Unicamp, além de ser responsável pelo curso de extensão Identidade Cultural Afro-brasileira, na Unifesp. Em 2004, publicou o livro “Conto, Canto e Encanto com a Minha História… EMBU: de Aldeia de M’Boy a Terra das Artes”. Considerada uma guardiã do conhecimento e da cultura dos povos afro-brasileiros, faleceu em 2018, aos 81 anos.

Foto de topo: Arquivo Sesc SP

 

Observação: o Sobreviva em São Paulo não se responsabiliza por possíveis mudanças nas informações acima, que são válidas até a data de publicação.

Sobre o autor

Publicitário, especializado em Marketing e Comunicação Integrada. Amante da vida, encantado por pessoas e suas singularidades. Fã inveterado de filmes de terror, ouvinte assíduo de música jamaicana e rock pesado. E, claro: Vai, Corinthians!

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