Saiba onde e como jogar quadribol em São Paulo

Saiba onde e como jogar quadribol em São Paulo

SP conta com cinco times que treinam abertamente em parques públicos 

O começo de um novo ano é para muitos uma oportunidade de dar início a uma prática esportiva.  A cidade de São Paulo apresenta uma diversidade de opções para adeptos de diferentes modalidades, inclusive as que parecem terem vindo de outro mundo. É o caso do quadribol, oriundo dos livros e filmes da saga Harry Potter. 

A estudante de pedagogia Giovanna Dias conheceu o quadribol durante um passeio no Parque do Ibirapuera. Ela ficou intrigada ao ver um grupo de pessoas jogando uma mistura de queimada com basquete, com jogadores correndo com vassouras entre as pernas. Hoje, a estudante é batedora no time Panteras Paulistas e cuida de toda a comunicação da equipe. O cabelo loiro e cacheado lhe rendeu um apelido dentro do grupo, Luna, pela semelhança com a personagem Luna Lovegood, interpretada pela atriz Evanna Lynch nos filmes do menino-bruxo.

Time Panteras Paulistas

Enzo Gonçalves, 20 anos, também conheceu o esporte por acaso. Ele participou da seletiva para entrar no time Dragões da Tormenta, apontado por Giovanna “Luna” Dias, como um dos maiores da América do Sul.  O atleta acabou sendo aprovado na seletiva do Panteras Paulistas e hoje também atua como batedor e treina para se tornar apanhador. 

A pandemia de Covid-19 interrompeu o calendário de competições da equipe paulista. O time está há dois anos fora de torneios oficiais e tem realizado seletivas e treinos abertos ao público para revelação de novos talentos. O Parque do Ibirapuera e o Villa-Lobos têm sido palcos dos treinos da equipe. Em 2019, o Panteras chegou a ficar em quarto lugar no campeonato estadual e emprestou jogadores para disputarem o campeonato brasileiro de quadribol, realizado em Minas Gerais. 

O estado de São Paulo tem cinco times praticantes da modalidade e  que costumam realizar treinos e seletivas em parques. O site da Associação Brasileira de Quadribol conta com uma relação de equipes por estado e dá orientações para quem deseja fundar um time na cidade em que mora. 

Para quem quer conhecer mais do esporte, Enzo recomenda que os interessados acompanhem o instagram @panteraspaulistas, canal em que é divulgada a agenda de treinos e seletivas. Durante os treinos abertos, os jogadores apresentam o esporte e auxiliam os novatos. Além de se divertir, ao participar da seletiva, a pessoa tem a chance de ingressar em um time e disputar torneios oficiais. 

Apesar de ser uma prática esportiva que surgiu no universo Harry Potter, não é preciso conhecer a saga. Giovanna e Enzo, dois veteranos na equipe paulista, admitem nunca terem acompanhado a obra da autora J.K Rowlling. 

 

O esporte 

Créditos: Divulgação/ Panteras Paulistas

O quadribol é uma mistura de outros esportes e atividades físicas já populares, tem características do Rugby, do basquete e da queimada. O jogo conta com seis aros, três de cada lado do campo, dois times com sete jogadores cada. 

As posições são: os artilheiros, responsáveis por levar as goles (bolas de volêi) até os aros para marcar um gol, que vale um ponto.  O goleiro, que assim como no futebol deve impedir o time adversário de chegar ao gol. Os batedores, responsáveis por lançar balaços (bolas de borracha como as utilizadas em jogos de queimada) para abater jogadores do time adversário, e o apanhador, que deve capturar o pomo, que dá 30 pontos para a equipe e encerra a partida. 

Nos filmes e livros, o pomo é uma pequena bola de ouro com asas. Na realidade (ou no mundo trouxa), o pomo é uma bola de tênis que vai dentro de uma meia. Essa meia é colocada nas costas de uma pessoa vestida de amarelo. O indivíduo, que não pertence a nenhum dos times, tem total liberdade para correr livremente pelo campo, empurrar e escapar dos apanhadores. O objetivo dos times é capturar a bola que esse sujeito carrega. Conforme a partida se estende, o pomo é proibido de usar uma dos braços, se mesmo assim não for capturado é proibido de usar os dois braços até ser pego por um dos times. 

Como o esporte ainda está se popularizando em São Paulo e no Brasil, os pomos geralmente são pessoas de outros times da cidade, que se voluntariam para realização da partida. 

 

As vassouras

Créditos: Divulgação/ Panteras Paulistas

Uma das regras fundamentais é que nenhum jogador pode desmontar de sua vassoura. Todos, independente da posição, devem correr com a vassoura entre as pernas. Entretanto, o artefato não contribui em nada para a jogabilidade. Ao acompanhar as partidas,  nota-se que o não uso de vassouras poderia contribuir inclusive para tornar o jogo mais rápido e dinâmico, mas elas têm um fator fundamental, a essência. 

Para Enzo, as vassouras são um dos itens que caracterizam o esporte. “É a vassoura que faz com que o quadribol seja quadribol, se abandonarmos a vassoura o esporte perde sua essência e sentido”, explica o batedor. 

Mas engana-se quem pensa que qualquer vassoura de casa pode ser utilizada. Elas são fabricadas sob medida para prática do esporte, são feitas de PVC e caso apresentem qualquer defeito, o juiz deve ser alertado imediatamente. Todo time deve contar com vassouras reservas. 

Em relação à segurança, os jogadores devem usar equipamentos de proteção, as unhas devem estar aparadas e é proibido utilizar qualquer tipo de brinco, colar ou piercing

“A vassoura pode sim deixar o esporte mais perigoso, mas equipamentos de segurança são obrigatórios em campeonato para proteger a gente e ao próximo, no final entra o fair play em cada jogada,  pois durante a partida você sabe que determinado lance, determinada jogada pode ferir seu adversário, então você deve ser consciente e isso vale para todo o esporte, não apenas no quadribol”, diz Giovana.  

Sobre o autor

Bruno Machado é jornalista e sobrevive em São Paulo desde quando nasceu. Sua relação com essa cidade é um clássico romance clichê: se odeiam pelas manhãs, se amam ao decorrer do dia e é apaixono por suas noites. Em meio a essa selva-jardim de concreto, descobre a cada dia, locais que todo morador, turista e demais sobreviventes dessa cidade merecem conhecer. No final das contas, Caetano tinha razão, "Alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruza a Ipiranga com Avenida São João".

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