Turnê Barão Vermelho Encontro é finalizada com show nostálgico no Espaço Unimed
Às 22h30 de 16/10, o Barão Vermelho Encontro subiu ao palco do tradicional Espaço Unimed, em São Paulo, para começar o último show da turnê que há meses vem passeando pelo Brasil. Sem discursos ou apresentações, os músicos deram início à noite com “Maior Abandonado”. A escolha da faixa que batiza o álbum de 1984 como abertura mostrou logo de cara que o repertório seria repleto de sucessos de diferentes fases do grupo.
O quarteto responsável pela turnê e que conduziu o show com protagonismo reúne Roberto Frejat (voz, guitarra e violão), Maurício Barros (teclados), Dé Palmeira (baixo) e Guto Goffi (bateria). Da formação original, só faltou Cazuza. Mas ele não deixou de ser lembrado durante muitos momentos, e logo você vai saber como.
Foi depois da terceira música, “Pense e Dance”, que Frejat se dirigiu à plateia pela primeira vez. A partir dali, entre uma canção e outra, o vocalista e guitarrista compartilhou breves histórias ligadas às composições.

Foram 29 músicas em aproximadamente duas horas. O setlist não deixou de fora covers que também fazem parte da história do Barão. Foi aí que Cazuza entrou: o primeiro vocalista e um dos principais compositores da banda ao lado de Frejat teve dois dos seus sucessos solo tocados, “O Tempo não Para” e “Codinome Beija-Flor”. Junto com outros covers e músicas clássicas da banda, como “Bete Balanço”, “Meus Bons Amigos”, “Puro Êxtase” e muito mais, o resultado foi uma apresentação que alternou guitarras em evidência, momentos de blues, outros mais românticos (como em “Por Você” e “Amor, meu Grande Amor”) e refrões conhecidos por várias gerações. Não apenas se apoiando na nostalgia, a banda mostrou a força de um sólido repertório construído ao longo de décadas.
Um dos momentos mais marcantes veio com “Todo Amor Que Houver Nessa Vida”. Cantando ao vivo, Frejat fez duo com Cazuza, que apareceu no telão para cantar partes da música, com imagem e áudio recuperados. A ocasião lembrou a dimensão da parceria entre os dois, responsáveis pela maioria das canções mais importantes da banda.
Quando os integrantes foram apresentados ao público, logo após “Por Você”, Frejat ficou nitidamente emocionado ao ouvir seu nome. Na despedida da turnê, o vocalista demonstrou estar feliz e agradeceu a todos os profissionais que trabalharam nos bastidores e no palco para tornar os shows possíveis. Rafael Frejat, filho do cantor, participou como guitarrista de apoio, assim como Fernando Magalhães, integrante de longa data do Barão Vermelho e membro da formação atual ao lado de Guto e Maurício.

E os parceiros de Frejat também brilharam. Guto Goffi fez um solo de bateria, enquanto Maurício Barros assumiu os vocais em “Vou Apertar, Mas Não Vou Acender Agora”. Durante uma fala de Guto, parte da plateia puxou o coro “Olê, olê, olá, Lula, Lula”, inserindo no show uma manifestação política espontânea, em meio à polarização que marca o atual momento brasileiro.
No bis, “Bilhetinho Azul” ganhou uma versão acústica, com os quatro músicos reunidos, destacando a formação que esteve no centro da turnê. Pouco tempo depois, “Pro Dia Nascer Feliz” foi a canção que encerrou a apresentação (e a turnê) deixando um gostinho de “quero mais” no público.
Frejat, em certo momento, disse “Não sei o que vai ser feito disso, mas esse show está sendo gravado”, o que abre a possibilidade de um futuro material sobre a apresentação. Resta aos fãs aguardarem e torcerem para a noite de 16/10/26, no Espaço Unimed, ser eternizada de alguma forma. Pega essa dica, 30e (produtora da turnê)!

Confira o setlist executado pelo Barão Vermelho Encontro:
- Maior abandonado
- Pedra, flor e espinho
- Pense e dance
- Política voz
- Tão longe de tudo
- Bete Balanço
- Meus bons amigos
- Ponto fraco
- Tente outra vez (Raul Seixas)
- Eu queria ter uma bomba
- O tempo não para (Cazuza)
- Quem me olha só
- Down em mim
- Todo amor que houver nessa vida
- Codinome beija-flor (Cazuza)
- Por você
- Amor, meu grande amor (Angela Ro Ro)
- Vem quente que eu estou fervendo (Eduardo Araújo)
- Malandragem dá um tempo (Bezerra da Silva)
- Torre de Babel
- Declare guerra
- Cuidado
- Não me acabo
- Quando o sol bater na janela do teu quarto (Legião Urbana)
- Puro êxtase
Após breve parada:
26. Bilhetinho azul
27. O poeta está vivo
28. Por que a gente é assim?
29. Pro dia nascer feliz
Imagem de topo: Piero Paglarin
