Suicidal Tendencies toca e leva o público à loucura em São Paulo

Suicidal Tendencies toca e leva o público à loucura em São Paulo

O Suicidal Tendencies fez mais um show maravilhoso em São Paulo (foto: Piero Paglarin)

Sábado foi dia de rock na Tropical Butantã. A casa, que se tornou atualmente um dos principais points de shows de rock de São Paulo, recebeu mais uma grande banda do gênero naquela noite de 29/04: o Suicidal Tendencies. Depois de grupos como Descendents, Papa Roach, Sum 41 e muitos outros, era a vez de Mike “Cyco Miko” Muir (vocal), Dean Pleasants (guitarra), Jeff Pogan (guitarra), Ra Diaz (baixo) e Dave Lombardo (bateria) – a atual formação do ST (como a banda é chamada nos shows) – marcarem presença na casa.

Além do show do Suicidal Tendencies, que marcava a segunda vinda da banda ao país depois do consagrado baterista Dave Lombardo (ex-Slayer) ter se juntado a ela em 2016, aquela noite ainda contaria com o Dead Fish – uma das maiores bandas de hardcore do Brasil – como banda de abertura. As apresentações de ambas as bandas eram um oferecimento do projeto HonorSounds, que está completando dois anos de existência e promove ações sociais de auxílio a instituições de caridade por meio de shows onde os fãs doam alimentos em troca de valores promocionais nos ingressos. A HonorSounds já trouxe para o país muitas bandas – incluindo o próprio Suicidal Tendencies no ano passado – , sendo que a última foi o Madball, no dia 9 deste mês.

Os shows

O relógio já tinha passado das 19h30 e muita gente ainda estava entrando na casa quando o Dead Fish subiu ao palco. Rodrigo (vocal), Ric (guitarra), Alyand (baixo) e Marcão (bateria) apareceram para o público com a vibração contagiante que caracteriza a banda. Rodrigo, especialmente, não parava de pular ao som da guitarra distorcida e da bateria rápida do grupo.

O Dead Fish abriu seu show com “Afasia” e fez um setlist de 21 músicas, que incluiu “Zero e Um”, “A Urgência”, “Sonhos”, “Venceremos”, “Sausalito” (que ganhou um clipe recentemente), entre muitas outras, e foi encerrado com “Sonho Médio”. A banda praticamente emendava uma música na outra. Em uma das poucas vezes que falou, no início do show, o vocalista Rodrigo enfatizou que o Suicidal Tendencies sempre foi uma inspiração pro Dead Fish, mesmo quando a banda estava começando no interior do Espírito Santo, pois os capixabas se identificavam com a origem étnica da banda californiana, que foge ao tradicional estilo “pele branca, cabelos claros e lisos” comum nos grupos de rock da época. Em outro momento, Rodrigo parabenizou às pessoas que aderiram à paralisação geral do dia anterior (28) e “dedicou” uma música à TV Globo, que o músico chamou de golpista e fascista. Convenhamos: show de hardcore só é show de hardcore quando tem política no meio, não é mesmo?

O Dead Fish cumpriu bem sua função, e fez um show de abertura digno de elogios (foto: Piero Paglarin)

Logo depois que o Dead Fish terminou sua apresentação, o palco começava a ser preparado para o Suicidal Tendencies. Em determinado momento dessa preparação, alguns músicos da banda foram auxiliar seus roadies. A galera já começava a gritar “ST! ST! ST!”, o que foi comum de se ouvir em diversos momentos. A pista da Tropical estava sendo povoada e ficando cheia quando as luzes se apagaram e a banda deu o ar da graça, com os músicos tomando seus postos. O vocalista Mike Muir foi o último a aparecer na frente do palco, e levou a galera à loucura. “You Can’t Bring Me Down”, um dos principais hits dos caras, começou a ser tocada e iniciou aquele que vinha a ser um show memorável. “I Shot Reagan” e “Clap Like Ozzy” – uma das faixas do álbum World Gone Mad (2016), o mais recente da banda – continuaram mantendo firme a energia da apresentação. Depois, os caras tocaram “Freedumb”, seguida por “Trip At the Brain” e “Get Your Figth On”. Mike Muir parecia uma criança, de tão feliz, saltitante e sorridente que estava no palco. Aliás, essa é uma característica marcante do vocalista. Porém, os outros membros não deixavam a desejar no quesito “energia”, e sempre que podiam ficavam andando pelo palco e trocando de lugares enquanto tocavam.

As clássicas “War Inside My Head”, “Subliminal” e “Send Me Your Money” foram as próximas músicas que o quinteto californiano executou. Aqui, cabe uma constatação: o show do Suicidal Tendencies continua sendo extremamente trabalhado na parte instrumental, com os guitarristas (especialmente Dean Pleasants), o baixista e o baterista a toda hora mostrando seus talentos individuais. Em certo momento, o empolgado Mike Muir pediu para Ra Diaz fazer um solo com seu baixo… e o cara mandou muito bem! Depois, foi a vez do baterista Dave Lombardo mostrar tudo o que sabe, deixando os fãs em êxtase e gritando seu nome. Vale dizer que Lombardo é uma atração à parte, já que ele é considerado uma referência em seu instrumento. Dean Pleasants também pediu espaço e deu uma pequena mostra de seu talento na guitarra. Isso mostra que o ST praticamente não tem protagonista, e sim é um grupo que forma uma unidade – e de maneira muito bem sucedida!

O Suicidal Tendencies interage com o público (foto: Piero Paglarin)

Em alguns momentos, Mike Muir desembestava a falar, animar e brincar com o público, mostrando o amor que tem por fazer shows. Chegou uma hora em que ele pediu para que as meninas que estavam na plateia subissem ao palco, o que prontamente foi atendido. Quando havia umas vinte e poucas meninas ao lado da banda, o Suicidal começou a tocar “Possessed to Skate”, incitando um divertido bate-cabeça feminino em pleno palco. Depois, ainda com a mulherada ao seu lado, a banda tocou “I Saw Your Mommy” e deu continuidade à festa feminina, com as meninas dançando, tirando fotos, ou até dividindo os microfones com os músicos.

A mulherada sobe ao palco após o pedido de Mike Muir (foto: Piero Paglarin)

Quando o show já se aproximava de seu final, já sem as meninas no palco, Ra Diaz pediu que a galera fizesse um “circle pit”, e a banda começou a tocar “Cyco Vision”. Na sequência, a baladinha “How Will I Laugh Tomorrow”, “Pledge Your Allegiance” e “Living For Life” – esta última tocada após a famosa paradinha (ou encore) que toda banda faz – encerraram a apresentação, que contou com um setlist de 15 músicas.

Em resumo, dá pra dizer que, definitivamente, o Suicidal Tendencies não envelhece – e nunca envelhecerá! – e que é difícil ver um show que alia a energia contagiante dos músicos com o puta capricho que eles têm na parte instrumental das músicas. Ah, e que Mike Muir é uma figura à parte, sem dúvidas!

Volte sempre, ST! Vocês já são de casa!

Setlist Suicidal Tendencies:

1 – You Can’t Bring Me Down
2 – I Shot Reagan
3 – Clap Like Ozzy
4 – Freedumb
5 – Trip At the Brain
6 – Get Your Fight On
7 – War Inside My Head
8 – Subliminal
9 – Send Me Your Money
10 – Possessed to Skate
11 – I Saw Your Mommy
12 – Cyco Vision
13 – How Will I Laugh Tomorrow
14 – Pledge Your Allegiance
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15 – Living for Life

Sobre o autor

Publicitário, especializado em Marketing e Comunicação Integrada. Amante da vida, encantado por pessoas e suas singularidades. Fã inveterado de filmes de terror, ouvinte assíduo de música jamaicana e rock pesado. E, claro: Vai, Corinthians!

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