Unicsul demite professores em meio à pandemia

Unicsul demite professores em meio à pandemia

A universidade Cruzeiro do sul notificou dezenas de professores de diversos cursos nessa segunda-feira, afirmando que a demissão deve-se às consequências da pandemia.

 

Os professores da Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL) foram surpreendidos nessa segunda feira ao receber uma chamada de vídeo que informava seu desligamento da instituição. Professores que há mais de 10 anos se dedicavam aos alunos da universidade de uma hora para a outra foram demitidos.

Segundo um dos profissionais desligados da empresa, a demissão em massa se deve ao fato de que a pandemia fez com que as aulas fossem adiadas até o final do ano letivo de 2020. Lembrando que, segundo os alunos, a mensalidade não sofreu alterações desde o início da pandemia.

Uma aluna de Pedagogia (que prefere não se identificar) afirmou que “todos ou pelo menos 95% dos professores do curso foram demitidos hoje”. Ela afirma que ficou triste e revoltada com a notícia. “Há relatos de professores que ainda estão em estado de choque, em prantos com a perda do trabalho construído por anos”, afirma a aluna.

Os alunos da instituição criaram um abaixo-assinado afirmando que o corte vai prejudicá-los e reforçam que o valor da mensalidade da instituição continuou igual, sem descontos devido à pandemia.

 

Assine o abaixo-assinado clicando aqui!

 

Outros alunos da Unicsul manifestaram suas opiniões nas redes sociais. Muitos enfatizaram o fato dos profissionais estarem dedicados mais que o normal durante a pandemia, focados em ensinar mesmo durante o isolamento social com aulas à distância.

Segundo a aluna de Pedagogia, os professores têm se dedicado ao máximo nas aulas remotas. “Ao meu ver [as aulas] continuam com muita qualidade em comparação com as aulas presenciais dos mesmos professores”.

 

 

A demissão em massa pode atrapalhar o aprendizado dos alunos

 

Além das dificuldades de aprendizado impostas pela pandemia por si só, esse tipo de mudança drástica no curriculum dos alunos pode se tornar mais uma barreira na hora de assimilar conteúdos.

A aluna de Pedagogia conta que, por pouco, não precisou trancar os estudos durante a quarentena e lamenta: “Os professores eram o nosso ponto de apoio para continuarmos os estudos. Sempre refletindo com positividade sobre a nossa situação e relembrando o quanto era importante que continuássemos nos dedicando aos estudos. […] O apoio dos meus professores foram excepcionais nessa quarentena.”

“A maioria deles era como inspirações acadêmicas e profissionais, por tudo que eles construíram. Eram professores com história e essa história muda o rumo de uma aula… em relação à didática e ao ato de educar […] Você via professores apaixonados pelo que faziam. Professores que quando lecionavam, os olhos brilhavam! E isso transmite pra gente paixão. É incrível como a gente reconhece quando alguém gosta do que faz”, disse a aluna emocionada.

Agora alunos estão órfãos de seus professores de longa data e professores estão chocados com a notícia. A decisão da Unicsul mostra como o sistema de educação privado está lidando com a pandemia, sem prestar apoio tanto aos que aprendem quanto aos que ensinam.

 

 

O Sobreviva em São Paulo tentou entrar em contato com a Unicsul, porém foi encaminhado para o “setor de marketing” da instituição e até o momento não recebeu respostas sobre o caso. 

 

 

Caso da Uninove

Há exatamente uma semana a UNINOVE notificou professores com uma mensagem na plataforma online usada para dar aulas assim que eles acessaram o site. O aviso dizia, de forma impessoal, que o docente estava dispensado “de prestar serviço a esta empresa sem obrigatoriedade inclusive do cumprimento do aviso prévio previsto em lei”.

O Sindicato dos Professores de São Paulo (SinproSP) protocolou no Tribunal Regional do Trabalho um dissídio coletivo solicitando a anulação, em caráter liminar, de demissões de professores na Universidade Nove de Julho (Uninove), que mantém unidades na capital paulista e na região metropolitana de São Paulo. Os advogados do sindicato pedem também a mediação do TRT para buscar uma solução para o problema.

De acordo com a diretora do SinproSP, os professores receberam o aviso de que estavam sendo dispensados no dia 22 de junho, pela manhã, quando acessaram a plataforma da universidade para dar aula. Assim que o aviso apareceu, a plataforma foi fechada e os professores não tiveram mais acesso. Segundo o sindicato, ao menos 120 docentes receberam os avisos, mas a entidade estima que o número total de demitidos pode chegar a 300.

“Entramos em contato com a Uninove pedindo explicações e o número exato de demissões, mas não tivemos resposta. Entendemos que é uma demissão em massa, em meio a uma pandemia, o que agrava ainda mais a situação. Pedimos a mediação do TRT já que a Uninove se recusa a dar informação”, disse.

Segundo ela, a Universidade não deu nenhuma justificativa. Os dispensados receberam uma ordem para entregar o crachá de acesso, em 48 horas, e também a carteirinha do plano de saúde, o que, segundo Sílvia Bárbara, é ilegal, pois a entidade deve manter esse benefício por 30 dias. O sindicato agora aguarda a decisão da Justiça e está fazendo um levantamento por conta própria para saber o número exato de demitidos.

 

Fonte: Agência Brasil 
UOL Educação

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