Pra não ser o doido no metrô

Pra não ser o doido no metrô

“…Paulista só fala com quem conhece, e em São Paulo todo mundo é desconhecido…”
(Anônimo que sabe das coisas).

 

Essa conta até eu que reprovei em matemática sei fazer. Ouvi de um cara que pra variar, não é daqui. E pior, depois que esbravejei por cinco minutos tive que concordar (mesmo que apenas mentalmente).

Na corrida diária entre os estudos e o pouco sono, pode ser que alguma coisa fique atrasada com toda essa nossa pressa de viver. A gente fica doido para ter tudo e acaba domingo recusando todas às saídas para acabar o dia de pijama, olhando as redes da vida sem realmente ver coisa alguma.
Nisso de estarmos sempre conectados perdemos as oportunidades do acaso diário, que poderiam não significar nada ou ser tudo.

Mas eu prometi falar lá no título sobre o metrô, né?!

Pois é, agora pega o que falei lá em cima e aplica isso no lugar que você fica todo dia naquele entremeio entre mau-humor e sono, com o bônus de estar com fones funcionando (pelo menos). Eis que entra aquela criatura que te faz esquecer a música e desejar ter arrumado o cabelo melhor.

Você, já pensando que devia ter colocado uma roupa decente, dá aquela conferida como quem não quer nada no vidro mais próximo, e convenhamos que poderia estar bem pior… Mas entre tudo que poderia acontecer, a tática escolhida é a de aumentar a música e ligar o olhar de doido que não come a um mês e acabou de ver um pedaço de pizza solto por aí.

Quem foi que te ensinou essa técnica de sedução meu filho?

Isso não te garante nada, nem mensagem de boa noite em uma terça-feira chata daquela tia que a gente finge gostar. Depois as pessoas se assustam ao ler que a nossa geração é a que menos beija. É isso mesmo, e vou repetir porque a coisa é séria!

COM TODA A TECNOLOGIA DESSE MUNDÃO, ESTAMOS TROCANDO MENOS SALIVA! E você tá achando super normal olhar com cara de fome para a mina que acabou de pegar o mesmo vagão que você! Cara desculpa, mas dentro do normal de ninguém ser normal você tá sendo o pior da espécie!

Na cidade onde a gente tem que marcar na agenda o tempo para amar, torço para que você se esqueça dos compromissos e vá se perder por algum caminho novo. Pode ser no metrô, pode ser em qualquer lugar, mas quando isso acontecer guarda o fone e não faz cara de doido, me faz esse favor vai…
Vestir um sorriso faz qualquer roupa amassada ou cabelo bagunçado perder o foco. O problema é que no meio de tantos caracteres e fotos a realidade perde o foco, e talvez muitos ainda não saibam, mas felicidade não é contabilizada pela quantidade de check-in que você fez no mês.

No fim, não foi sobre o metrô

Foto de capa: Metrô de São Paulo/Divulgação

Sobre o autor

Escrevo mesmo sem saber dos acentos. Danço, mas perco o ritmo fácil. Gosto das fotos desfocadas, parece que de algum jeito doido combina com a zona da minha cabeça.

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